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Professores dão
ultimato a Serra: se
não atender as reivindicação, é greve!
O
governo José Serra tem desrespeitado acintosamente os funcionários públicos
do Estado de São Paulo. Em 2007, não cumpriu a data-base da categoria, não
concedeu reajuste salarial, sequer negociou com as entidades
representativas. Nos últimos meses, os professores da rede pública do Estado
de São Paulo têm sofrido uma campanha maledicente orquestrada pelo
governador Serra e pela secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de
Castro, que tem encontrado eco na mídia. São inúmeras matérias veiculadas
pelos meios de comunicação atribuindo aos professores a culpa pela situação
caótica do sistema de ensino paulista.
O
fraco desempenho de nossos estudantes tem sim um culpado: a administração
José Serra e o PSDB, no poder há catorze anos, que adotam políticas
deliberadas para destruir a escola pública: aprovação automática; fechamento
de salas e escolas; superlotação das salas de aula; infra-estrutura
inadequada; municipalização do ensino e desvalorização dos professores.
De
acordo com dados do Saresp de 2007, divulgado recentemente, 80% dos alunos
apresentaram insuficiência em Matemática: fruto do descompromisso do Estado
para com a Educação Pública. O Estado mais rico da Federação não tem um
Plano Estadual de Educação, tampouco assegura investimentos para a área que
deveria ser prioridade.
O
ano letivo iniciou-se com uma série de medidas impostas pelo governo:
avaliação de desempenho, premiação, retirada do Adicional de Local de
Exercício de diversas unidades, aulas aos sábados, demissão de centenas de
professores, recuperação paralela, investida contra a liberdade de cátedra e
a autonomia das escolas, entre outros.
Uma das alterações que mais mexeu com a rede foi a nova organização
curricular do ensino básico, com a exclusão e a diminuição de disciplinas.
Além da desobrigação de manter Sociologia e Psicologia na matriz curricular,
a secretaria da Educação propôs a retirada de duas aulas de Geografia do 3º
ano do ensino médio, aulas de Artes, Matemática, e Português. Além do
prejuízo pedagógico, a medida provocou desemprego entre os professores.
Há três anos, os docentes estão sem reajuste salarial. A única política de
salário do governo adotada há 13 anos é a concessão de bônus, prêmios e
gratificações. São Paulo paga um dos piores salários em todo o território
nacional, obrigando a categoria a cumprir dupla e até tripla jornada.
Levantamento feito pela Subseção do Dieese na APEOESP indica que o governo
estadual está abaixo do limite prudencial determinado pela Lei de
Responsabilidade Fiscal no gasto com pessoal e sua arrecadação vem
apresentando um crescimento real nos últimos anos. Isto significa dizer que
há dinheiro para a concessão de reajuste e incorporação das gratificações. O
que falta é vontade política!
Para impedir a implantação das propostas nefastas da secretária Maria Helena
Guimarães os professores aprovaram um plano de lutas para este início de
ano. Durante a realização da primeira assembléia em 14 de março, os
professores aprovaram o eixo da campanha salarial e educacional de 2008: “Contra
as medidas de Serra; por emprego e salário; em defesa da escola pública”.
Os professores deram um ultimato ao governador: se ele não atender as
reivindicações até 04 de abril, data da próxima assembléia, é greve! Como
parte do plano de lutas, os docentes participarão também de uma aula pública
que discutirá currículo, violência e avaliação. A APEOESP desafiou a
secretária a debater o tema avaliação com o presidente da entidade, Carlos
Ramiro de Castro. |