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Transporte público insuficiente gera o
caótico trânsito paulista
Sem investimentos, setor que vem dando sinais de
esgotamento há anos não suportou o crescimento
econômico do país e o natural aumento dos
veículos particulares
Após uma semana na qual o recorde de
congestionamentos em São Paulo foi batido três
vezes, chegando a 200 km, a prefeitura da cidade
anunciou um pacote de medidas emergenciais e
paliativas para desanuviar o trânsito. São
projetos que procurariam dar maior fluidez ao
tráfego na cidade, mas que de antemão “não são
garantias de rotas livres”, segundo o anúncio do
secretário municipal de transportes.
O transporte público em São Paulo vêm dando
sinais de esgotamento por falta de investimentos
há anos, conforme denunciou um recente protesto
de moradores da zona sul paulistana. A gestão
PSDB/DEM não deu continuidade às obras de
transporte que estavam sendo efetivadas na
cidade. A ampliação dos corredores de ônibus
está parada desde o início da atual gestão, as
frotas não foram renovadas nem registraram
crescimento e o paulistano percebe que chega a
ser mais rápido andar a pé do que de ônibus.
METRÔ
O metrô também é retrato do abandono em que se
encontra esse setor. Governando o estado há 13
anos, o PSDB pouco fez pela ampliação desse tipo
de transporte público, o principal em qualquer
grande metrópole do mundo. O desabamento
ocorrido na linha 4, que matou sete pessoas e
desalojou outras 200, até hoje não teve punidos
os responsáveis. Além disso, a obra, que estava
prevista para ser entregue em 2008, só será
parcialmente concluída em 2011. Diariamente
ocorrem problemas operacionais no metrô que
atrasam a vida dos passageiros e causam
transtornos por toda a capital.
Esse quadro torna impossível para a maioria da
população utilizar-se dos meios de transporte
público. A avaliação feita pela pesquisa do
instituto Datafolha em agosto de 2007,
demonstrou que 51% das pessoas não aprovam o
transporte coletivo paulistano, o maior índice
de rejeição desde o ano 2000. A falta de
investimentos no setor, acrescido do crescimento
econômico do país, fez com que a cidade de São
Paulo atingisse uma frota de 6 milhões de
veículos no ano de 2008. Atualmente, 12 milhões
de motoristas se deslocam pela cidade em carros
particulares, enquanto somente 4 milhões de
passageiros optam pelos ônibus.
O governo tucano anunciou o pacote de medidas
somente agora que o problema alcançou seu ápice,
mas o caos no trânsito já está sinalizado há
tempos. Segundo dados do Detran, os índices de
lentidão na capital saltaram de 86 km, em 2006,
para 90 km, em 2007, no período da manhã, e de
114 km para 128 km à tarde.
Além dos problemas sofridos diretamente pela
população, os congestionamentos na cidade
resultam em gastos para a prefeitura. A
Associação Nacional do Transporte Público (ANTP)
estima que em 2008 os gastos dessa ordem
alcançarão R$ 528 milhões. O cálculo contabiliza
os custos com a emissão de gases poluentes
(doenças respiratórias), consumo de
combustíveis, impacto no sistema de transporte
coletivo e tempo gasto nos engarrafamentos.
MAQUIAGEM
O pacote de projetos anunciados pelo prefeito de
São Paulo está longe de se propor a resolver um
problema que foi sendo cavado durante os longos
anos de administração tucana. O presidente da
Companhia de Engenharia de Tráfego (CET),
Roberto Scaringella, informou que a maioria das
rotas apresentadas como alternativas no novo
pacote de medidas da prefeitura não são
monitoradas pela CET, o que na prática reduz a
aferição do trânsito na cidade, maquiando os
índices de congestionamento.
A população necessita de um serviço público
eficiente, rápido, confortável, seguro e com
tarifas que permitam o acesso de todos, para que
possam deixar seu carro na garagem ao sair para
cumprir seus compromissos. Não sendo visto com
maus olhos ao adquirir um veículo, nem tendo que
pagar pedágio para circular no centro de São
Paulo. As medidas anunciadas pela prefeitura
buscam somente desviar o paulistano das rotas
mais congestionadas, enquanto o problema do
tráfego intenso e do abandono do transporte
público persistem.
FERNANDA CALVI |