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Tibete: agentes do
putch cometem incêndios e assassinato de civis
“A chamada não-violência do Dalai Lama e seus seguidores não passa de uma grande
mentira”, afirma, em seu editorial, o Diário do Povo
“Aqui,
no nosso país, não adianta que o Dalai Lama e seus seguidores se camuflem atrás
de sua suposta conversão à paz e à não violência. Eles estão desmascarados, suas
atividades de sabotagem que perseguem a divisão da China estão fadadas ao
fracasso”, advertiu em editorial o Diário do Povo, de Pequim.
O editorial assinalou que “o mundo inteiro
espera com impaciência os Jogos Olímpicos, mas a camarilha do Dalai se esforça
em tomar como refém os Jogos e forçar assim o governo chinês a ceder na questão
da unidade territorial do país, contando para isso com a contribuição de meios
de comunicação ocidentais”.
O governo da China denunciou, no sábado, dia 22,
que o Dalai Lama e sua claque tentam usar os Jogos Olímpicos de Pequim, que
começam em agosto, como “refém” para fortalecer as pretensões de separatismo do
Tibet.
SEPARATISTAS
As afirmações ocorreram depois do putch tentado
pelos separatistas que teve seu auge na sexta-feira, dia 14, quando morreram 19
pessoas – algumas delas queimadas vivas em suas casas ou em lojas atacadas pelos
baderneiros -; 624 resultaram feridas, e foram destruídos hospitais, escolas,
lojas, veículos e moradias com incêndios e ações de uma selvageria incomum.
Nas duas fotos superiores desta página vêem-se
cenas de um vídeo mostrando os detalhes da devastação e que pode ser visto no
seguinte endereço: mms://winmedia.cctv.com/Noticiario/2008/03/Noticiario_300_20080320_2.wmv
O Diário do Povo afirmou que o Lama - o mesmo
que depois de atribuir ao governo chinês os crimes ocorridos mudou de conversa,
dizendo-se “adepto da solução pacífica e consensuada dos problemas” - nunca
abandonou a violência após fugir da China, em 1959, depois de haver participado
de um golpe financiado pela CIA.. “A chamada ‘não-violência’ do Dalai Lama e sua
claque é uma grande mentira, do começo ao fim”, frisou o jornal.
A versão de que os monges tibetanos ligados ao
Dalai Lama eram defensores “de uma identidade cultural perseguida por um governo
ditador e cruel” foi sustentada por uma intensa campanha na mídia
norte-americana e européia que, na medida em que testemunhas como as recolhidas
na matéria ao lado foram vindo à tona, começou a ruir.
Depois de descoberto por chineses que viram as
suas reportagens, o canal de televisão alemão RTL anunciou, na segunda-feira,
dia 24, que se “arrepende de um erro” na cobertura das violentas badernas que
ocorreram em Lhasa, capital da região do Tibete.
A RTL admitiu em seu portal na internet que
“utilizou uma fotografia num contexto equivocado”, já que mostrava forças de
segurança no Nepal, país vizinho de China.
“A imagem foi tomada em 17 de março na cidade
capital de Katmandú, onde as forças de segurança nepalezas bateram com
porretes nos manifestantes tibetanos”, teve que reconhecer o canal alemão,
acrescentando que “criamos acidentalmente a impressão de que é uma cena da
confusão no Tibete com as forças de segurança chinesas envolvidas. Lamentamos
este erro”, ensaiou.
FALSIFICAÇÕES
Casos similares, com policiais nepalezes sendo
descritos como se fossem das forças de segurança chinesas, batendo em tibetanos
com porretes em Katmandú, apareceram no jornal alemão Bild e no jornal
norte-americano Washington Post. Só que fazendo passar as falsas cenas como se
fossem verdadeiras.
A CNN, dos EUA, botou uma imagem em sua página
web mostrando um monte de gente correndo na frente de um caminhão militar,
quando a imagem original colocada na internet por internautas chineses mostra um
grupo de baderneiros atirando pedras ao veículo militar.
A British Broadcasting Corporation (BBC), em
mais um exemplo de manipulação, emitiu uma imagem em seu portal mostrando
agentes armados da policia da China ajudando os médicos a introduzir uma pessoa
ferida em uma ambulância. No pé da foto diz que “há uma forte presença
repressiva em Lhasa”, negando os óbvios dísticos da Cruz Vermelha e de
primeiros auxílios que se observam na ambulância.
A americana Fox TV assinalou em outra mentira
captada por atentos telespectadores que o exército chinês encerrou algumas
pessoas que protestavam num veículo, quando realmente se tratava de agentes da
policia indiana retirando pessoas de uma manifestação naquele país.
O governo chinês assegurou que a situação no
Tibete e nas províncias fronteiriças que têm uma importante população tibetana
voltou à normalidade.
A China sublinhou que a tocha olímpica -que na
segunda-feira iniciou seu percurso em Atenas- passará como estava previsto pelo
Tibete.
SUSANA SANTOS |