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Dengue cresceu 100% no Rio enquanto caiu 40% no
país
“Em
todo o país, nós conseguimos baixar os índices da doença, e só no Rio houve
crescimento”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Vereadores do
Rio acusam a Prefeitura de desviar recursos destinados ao combate a dengue.
Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde afirma que agentes de combate ao
mosquito foram demitidos por denunciar más condições de trabalho
O governo federal anunciou uma série de medidas
emergenciais, que envolvem a criação de um gabinete especial, a contratação de
pessoal especializado e o auxílio das Forças Armadas para ajudar o Rio de
Janeiro a combater a epidemia de dengue, que infectou 2.053 pessoas só nos
últimos dois dias na capital. As vítimas da dengue, a maioria crianças, lotam os
hospitais públicos e particulares, e enfrentam filas de espera de até 5 horas.
“Em outubro de 2007 eu alertei que o Brasil tinha um quadro
de epidemia de dengue e mostrei preocupação especial com o Rio de Janeiro”,
afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. “Em todo o país, nós
conseguimos baixar os índices da doença, e só no Rio houve crescimento”,
esclareceu o ministro, informando que houve uma redução de 40% na incidência da
doença no país este ano enquanto na capital fluminense o aumento foi de 100% em
relação ao mesmo período do ano passado.
DESVIO DE VERBA
Um relatório da Comissão de Saúde da Câmara Municipal do
Rio, que será encaminhado ao Ministério Público nos próximos dias, denuncia o
desvio dos recursos repassados pelo Ministério da Saúde à Prefeitura do Rio para
o combate a dengue. O relatório aponta que a Prefeitura recebeu R$ 18,1 milhões
do Ministério na rubrica “Teto financeiro de vigilância em Saúde”, que se
destina ao combate e prevenção de doenças infecciosas. “Apenas 12 milhões foram
liquidados pela Prefeitura, sendo que metade desse valor não foi direcionado
para a dengue”, denunciou o vereador Carlos Eduardo, presidente da Comissão.
Segundo o relatório dos vereadores, houve “desvio de
finalidade” e esses recursos foram usados para a compra de ambulâncias e para
contratos de serviço de limpeza hospitalar, mesmo com fortes indícios de que uma
epidemia de dengue estaria prestes a se alastrar pela capital.
Na última sexta-feira, o Sindicato dos Agentes Comunitários
de Saúde do Rio de Janeiro acusou a Prefeitura da capital de ter demitido
agentes que trabalhavam no combate ao mosquito na Zona Oeste, uma das regiões
mais atingidas pela dengue na capital. Segundo o Sindicato, os agentes foram
demitidos por liderarem protestos e denúncias contra as más condições de
trabalho.
Através de nota divulgada na última semana, o Ministério da
Saúde também afirmou que “um dos problemas enfrentados no Rio de Janeiro é a
baixa implementação das equipes de saúde da família e a desestruturação da
atenção básica”. Segundo o Ministério, as equipes de saúde familiar cobrem
apenas 8% da população do município, um dos índices mais baixos do país.
RECORDE DE SERRA
Desde o início de janeiro, a epidemia já atingiu 23.555
pessoas no município do Rio, causando 30 mortes. Com isso, o Estado tem agora um
total de 32.615 casos e 48 mortes. O número de casos é alto, porém não chega
perto do total registrado em 2002, quando o Rio enfrentou a pior crise de dengue
da sua história, com um recorde de 138.027 casos.
Em 2002, dois anos após a demissão de 5.500 mata-mosquitos
promovida pelo então ministro da Saúde José Serra, o Brasil chegou a registrar
794 mil casos de dengue num único ano. Além das demissões, Serra descentralizou
o controle da dengue, que era feito pela Funasa, e o repassou aos municípios. O
resultado foi que os casos no Brasil saltaram de 180 mil - quando Serra assumiu
a pasta - para 794 mil no final de 2002, com 2.714 casos de dengue hemorrágica e
150 mortes em função da doença num único ano.
FALTOU PREVENÇÃO
José Gomes Temporão afirmou que o número de mortes ocorrido
pela dengue no Rio está “completamente fora do que nós consideramos que seria
razoável”. Para ele, “as explicações são múltiplas. O fato de os vírus 2 e 3
estarem circulando e atingindo principalmente as crianças é um fator; o de
termos muita chuva e calor no Rio é outro; e a desorganização e baixa qualidade
da rede de atenção primária, no Rio, é um. A estratégia, agora, é melhorar o
atendimento.”
O Ministério da Saúde ressaltou que “se tomados os devidos
cuidados, o índice de mortalidade é praticamente nulo. Em 2007, no município de
Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, houve uma incidência da doença tão grave
quanto a que está ocorrendo no Rio de Janeiro. Ocorreu apenas um óbito porque a
qualidade do atendimento primário em Campo Grande era muito boa, principalmente
pela cobertura do Programa Saúde da Família. E eram os mesmos tipos de vírus
circulando”.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, atribuiu à Prefeitura o
agravamento da situação. Durante a inauguração das tendas de emergência que vão
administrar soro para pacientes com dengue, Sérgio Cabral afirmou que “o
trabalho preventivo é um trabalho tipicamente municipal. No ano passado, a
Prefeitura de Campo Grande enfrentou a epidemia da dengue com honra e
competência e, esse ano, não temos a crise lá”, disse. E ressaltou quer, no
caso da Prefeitura do Rio, faltou “trabalho preventivo durante o ano inteiro”.
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