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Vale
desiste da transação com a anglo-suíça Xstrata
A Vale do Rio
Doce anunciou na terça-feira (25) a desistência em levar adiante a transação
com a anglo-suíça Xstrata. “Não foi alcançado acordo entre as partes, o que
acarretou no encerramento das negociações”, diz o comunicado da empresa.
O valor do
negócio era estimado em cerca de US$ 90 bilhões, dos quais US$ 50 bilhões
sairiam de um pool de bancos estrangeiros integrado pelo HSBC, Citigroup,
Santander, Credit Suisse, BNP Paribas, Barclays e RBS. Cerca de US$ 30
bilhões seriam obtidos com transferência de ações preferenciais da Vale aos
controladores da Xstrata – além da Glencore (35% de participação),
especuladores como a Axa Investments, Alliance Bernstein e Black Rock.
As ações
ordinárias representam 60% do capital total da Vale do Rio Doce, avaliada em
US$ 120 bilhões, e as preferenciais (PN), 40%. O detalhe é que essas ações
preferenciais são da classe A, que dão direito a voto. Com essa injeção de
US$ 90 bilhões e mais as ações que já possui da empresa, o capital
estrangeiro ficaria em maioria.
Apesar das
negativas da Vale, a resistência do governo foi um dos fatores impeditivos
ao desfecho do negócio, em função da iminência do controle da empresa
passasse para o capital estrangeiro, tal qual aconteceu com a AmBev, que,
após associação com a belga InterBrew, resultando na InBev, ficou sob
controle europeu. O governo conta com uma “golden share” (ação especial) que
garante poder de veto em algumas situações, entre elas em relação ao aumento
de capital estrangeiro na companhia.
Para efetivar a transação, a Glencore exigia
manter os direitos de comercialização da produção Xstrata (ferro, níquel,
carvão etc.), o que a Vale não concordava. |