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Monopólios
raspam o tacho e déficit em transações correntes vai a US$ 6 bilhões
O aumento das
remesas de lucros e dividendos das transnacionais para suas matrizes e o
crescimento vertiginoso das importações derrubaram as transações correntes
no primeiro bimestre, registrando um déficit de US$ 6,322 bilhões. Para
2008, o BC projeta um déficit de US$ 12 bilhões, após cinco anos de
superávit.
Em janeiro e
fevereiro, as remessas de lucros totalizaram US$ 4,317 bilhões, duplicando
em relação ao mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 2,191
bilhões. No mês de março, até o da 23, as remessas foram de US$ 2,540
bilhões. Cerca de 28% do envio de lucros para o exterior foram feitos pelas
montadoras e 15,6%, pelos bancos estrangeiros. Com a crise originária na
economia norte-americana, os monopólios estão raspando o tacho nos países
periféricos do sistema capitalista para tentar cobrir o rombo causado pela
queda da pirâmide de papéis imobiliários nos EUA. O BC estima as remessas de
lucros e dividendos deverão totalizar US$ 24 bilhões em 2008.
A outra face da
moeda do déficit nas transações correntes no primeiro bimestre foi a queda
no superávit da balança comercial: US$ 1,826 bilhão, ante US$ 5,415 bilhões
registrado no mesmo período de 2007. A causa principal para esse resultado
foi a deterioração do câmbio, que vem provocando um crescimento das
importações em proporção superior ao das exportações – 54% e 24%,
respectivamente, no período.
O câmbio
adverso, ocasionado pelos juros altos, é a principal causa para a queda do
saldo comercial. Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi), a apreciação do real tem tido forte impacto sobre os
exportadores, que “continuam optando por internalizar suas receitas para
usufruir a elevada taxa de juros interna”. Nem a isenção de IOF, na análise
do Iedi, tem sido suficiente para contrabalançar os efeitos negativos.
“O IOF de 1,5% sobre os fluxos de curto prazo
atraídos por essa taxa também parece insuficiente para eliminar os ganhos de
arbitragem. Isto porque a manutenção da meta da taxa Selic em 11,25%, desde
agosto, num contexto de reduções sucessivas da taxa de juros básicas nos
Estados Unidos, ampliou significativamente esses ganhos nos últimos meses e
resultou num ingresso de US$ 3 bilhões de investimentos estrangeiros de
portfólio em renda fixa em fevereiro, o maior valor mensal registrado na
série histórica do Banco Central. A cifra recorde até então (US$ 2,9
bilhões) havia sido apurada em março de 2006, logo a pós a edição da Medida
Provisória que isentou de Imposto de Renda esses investimentos”, afirma o
Instituto. |