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Produtores independentes e
cinematográficos repudiam redução de cotas na TV paga
Representantes de entidades ligadas a produção
independente e cinematográfica brasileiras consideraram que as alterações
anunciadas pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ) ao PL-29/07, impondo uma redução
nas cotas de conteúdo nacional na TV por assinatura, representam uma “pá de cal”
na produção independente nacional e praticamente excluem o setor do projeto. As
críticas foram feitas pela Associação Brasileira de Produtoras Independentes de
Televisão (ABPI-TV) e pelo Congresso Brasileiro de Cinema (CBC).
Bittar reuniu a imprensa no último dia 19 para
anunciar mudanças no projeto que pretende regular o mercado audiovisual e o de
TV por assinatura, cuja relatoria é de sua responsabilidade. O deputado adiantou
que queria “simplificar” as cotas estabelecidas anteriormente em sua própria
proposta. Na prática, a “simplificação” representa reduzir de 22% as cotas de
conteúdo nacional no conjunto do espaço qualificado da TV a cabo - metade desse
percentual destinado à produção nacional independente - para um patamar que pode
ficar abaixo de 8%, dos quais menos de 2% reservados à produção nacional
independente, se levado em consideração a quantidade de canais do pacote
escolhido. Espaço qualificado foi definido como o espaço total do canal,
excluindo-se programas jornalísticos, religiosos, políticos, eventos esportivos,
publicidade, concursos, televendas.
INADMISSÍVEL
“O estarrecedor nesta proposta é ele ter
retirado a menção à produção independente”, disse Marco Altberg, conselheiro da
ABPI-TV, ao comentar o fato do parlamentar ter sacado essa modalidade de
produção dos 10% de conteúdo nacional estabelecidos no horário nobre de todos os
canais. “É algo inadmissível”, destacou.
Para o presidente do CBC, Paulo Rufino, se mantido o recuo de Bittar, a
indústria audiovisual brasileira “ficará de fora do relatório”. “As cotas não
são apenas proteção do mercado audiovisual, mas também ampliam este mercado e os
postos de trabalho”, afirmou Rufino, ressaltando que “o conteúdo nacional
protegido pelas cotas tem de ser da produção independente. Senão, chegaremos num
quadro onde as emissoras da TV aberta vão fornecer conteúdo para o cabo para
cumprir as cotas”.
As entidades também condenaram a atitude do
deputado no dia em que fez o anúncio. Em solidariedade a Bittar e em apoio à
política de cotas - que sofria intenso bombardeio das empresas estrangeiras da
TV paga - integrantes de 36 entidades, entre as quais a ABPI-TV e o CBC,
reuniram-se com ele e divulgaram um manifesto defendendo a produção nacional e
independente. O deputado os recebeu, agradeceu, e minutos depois comunicou à
imprensa que reduziria as cotas em seu projeto. “As 36 organizações signatárias
do manifesto são representativas da área das comunicações e da produção
audiovisual, e estávamos lá para manifestar apoio ao PL-29. Se ele já havia
consolidado as mudanças, deveria ter nos comunicado naquele momento”, afirmou
Bráulio Ribeiro, representante do Intervozes, relatando a situação
desconfortável e constrangedora.
A diminuição do espaço para a produção
independente nacional no projeto – que já não era muita coisa - se deu por que o
deputado declinou em pontos importantes, como a limitação no número de canais
para a incidência da cota, cerca de 50, que antes não existia. Na primeira
versão, Bittar fixava, principalmente, duas espécies de cotas. A primeira dizia
que 10% do horário nobre de todos os canais com espaço majoritariamente
qualificado seria destinado para a produção nacional independente. A segunda
afirmava que 30% dos canais classificados como “qualificados” deveriam
transmitir 50% de conteúdo nacional. Metade destes 50% deveria advir de
produtoras independentes.
Agora, o deputado pretende retirar a produção
nacional independente da primeira cota (10%) e reduzir a segunda cota para 25% -
não mais de todos os canais, mas valendo apenas para o pacote básico -,
diminuindo também a produção nacional de 50 para 40%.
Um exemplo prático da proposta de Bittar pode
ser observado no plano básico da NET, que precisaria disponibilizar apenas 5
canais com 40% de conteúdo nacional para seus assinantes. Para cumprir essa
cota, bastaria que a operadora acrescentasse um canal igual ao GNT ou
disponibilizasse outro que está incluído no pacote com mais canais. Ou seja,
nada de novo seria produzido. Segundo a ABPI-TV, “se o projeto passar assim, vai
legitimar uma situação, e vai acabar com qualquer chance de mudança que
incentive a produção independente”.
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