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Quintino Severo,
secretário-geral da CUT:
Coibir demissões é
freio à alta rotatividade e ao arrocho salarial
“Queremos a ratificação
da Convenção 158 da OIT para pôr um fim à prática recorrente de empresas
que demitem o trabalhador para logo voltar a contratá-lo com salários
menores”, disse
O
enviou ao Congresso Nacional da proposta de ratificação da Convenção 158
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que coíbe a demissão sem
justa causa, atende reivindicação histórica do movimento sindical
brasileiro, que está unificado em torno de suas centrais em defesa da
sua aprovação, afirmou o secretário-geral da CUT, Quintino Severo.
De acordo com
Quintino, “ao proporcionar mais garantia e segurança ao trabalhador, a
medida cria um novo ambiente nas relações de trabalho, uma vez que põe
freio à alta rotatividade e ao arrocho salarial decorrentes da política
de demissão imotivada seguida de contratação por salários menores”.
O dirigente
cutista ressaltou que, “ao contrário do que setores da mídia e do
empresariado vêm divulgando - para desinformar - a ratificação da 158
terá impacto positivo para o conjunto da economia, da mesma forma como a
política de valorização do salário mínimo possibilitou ao país ter hoje
um mercado interno fortalecido e menos sujeito a oscilações e crises
vindas de fora. Diferente do círculo vicioso da recessão, dos tempos
neoliberais, temos hoje ampliada a nossa capacidade de geração de
emprego e renda, maior consumo dentro do país e, portanto, maior
independência em relação aos humores do mercado externo”.
DESENVOLVIMENTO
Governar é
fazer opções, sublinhou Quintino, para quem “a 158 é o caminho do
desenvolvimento com justiça social, com redistribuição de riqueza, com o
reconhecimento do papel central do trabalho na economia”. “A quem esta
Convenção ameaça? Aos partidários da terceirização fraudulenta, da
rentabilidade e produtividade a qualquer preço; aqueles que, desprezando
o ser humano, fazem pouco caso da fome e da miséria, que se acostumaram
a ter na legião de desempregados um exército industrial de reserva para
trabalhar a qualquer preço; aos que preferem atuar como senhores de
escravos do que como empresários, que negociam, dialogam e ganham com o
crescimento de todos”, acrescentou.
Para o
secretário-geral da CUT, os dados são eloqüentes e falam por si. “Em
2007, foram gerados 14,7 milhões de empregos formais com carteira
assinada, enquanto pouco mais de 13 milhões foram demitidos, deixando um
saldo de admitidos positivo de 1,6 milhão. Ao mesmo tempo em que o
Brasil bateu um recorde de formalização mais pessoas também foram
demitidas. Com este dispositivo traiçoeiro e anti-trabalhador, nos
últimos dez anos, a taxa de rotatividade da mão-de-obra ficou em 25%,
chegando a 30%, como no setor metalúrgico, evidenciando uma manobra para
não repassar os ganhos das convenções coletivas, substituindo milhões de
trabalhadores por outros com salários inferiores ou pelo piso”. Conforme
o Ministério do Trabalho, os admitidos na indústria em 2006 receberam
remuneração 20% inferior aos que foram desligados no mesmo ano.
PERVERSIDADE
O mecanismo
é tão simples quanto perverso, condenou o sindicalista, citando estudo
da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), de que “559 mil
metalúrgicos conseguiram trabalho, mas ao mesmo tempo 489 mil foram
demitidos em 2006. É a lógica do menor custo, para a “firma”, e nada tem
a ver com o país que queremos construir. A projeção da CNM/CUT é que com
isto o governo federal terá de desembolsar algo em torno de R$ 13
bilhões para atender por meio do seguro desemprego esses trabalhadores,
que serão demitidos sem justa causa e com mais de 6 meses de trabalho”.
Quintino
Severo esclareceu que “uma das formas utilizadas pela direita e sua
mídia para camuflar o embate que chega ao Congresso Nacional é a
publicação de meias verdades e inteiras mentiras, chantageando
parlamentares e manipulando leitores para criar um caldo de cultura pela
não-aprovação da Convenção”.
Pela justeza
e importância da Convenção 158, ressaltou, o Brasil chegou a ratificar
essa convenção em 1995 mas, um ano depois, ela foi denunciada pelo
governo FHC com o argumento de que seria “inconstitucional”. “Naqueles
tempos, de triste memória, em que trincheira estavam os que hoje nos
atacam? Agredindo direitos, promovendo desregulamentações,
privatizações, precarizações e outros abusos. Foram disputados na
disputa de projeto, onde reafirmamos a necessidade de uma agenda
positiva, de desenvolvimento com justiça social, de virar a página do
atraso. Com unidade, mobilização e consciência, venceremos novamente”,
concluiu.
LEONARDO SEVERO
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