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Gino Orlando, um valente
goleador
ARIOVALDO IZAC *
Até 2002, quem entrava no saguão do Estádio do
Morumbi inevitavelmente deparava com um setuagenário dando uma ordem aqui ou
deixando recomendação acolá. Ele era Gino Orlando, mais de 1,80m de altura,
rosto marcado pelo tempo e se gabava de ter sido o segundo artilheiro na
história do São Paulo, com 232 gols, entre as décadas de 50 e 60. E no dia 24 de
abril de 2003, após dois meses internado, Gino morreu, aos 75 anos.
Gino Orlando foi um centroavante rompedor, que
não tinha medo de zagueiros botinudos. Matreiro, sabia deixar a perna nas
jogadas divididas. O atacante fez parte daquele lendário time do São Paulo
campeão paulista de 1957, período em que o treinador era o belga Bela Gutman.
Curioso é que um mês antes daquela final,
Tricolor e Corintians se enfrentaram em partida amistosa, no Pacaembu, e, após
uma cobrança de falta, Gino e o meia corintiano Luizinho, o Pequeno Polegar,
começaram a discutir, e o são-paulino acusou o adversário de ofender a sua mãe,
fato que provocou revide com a mesma moeda.
REENCONTRO
Aparentemente o bate-boca teria se encerrado no
gramado, mas ambos se encontraram casualmente na residência do jogador Alfredo -
amigo de ambos - e surpreendentemente Luizinho atirou um tijolo na cabeça de
Gino. O corte foi profundo e esguichava muito sangue.
O fato ganhou manchete de jornais da época, e o
comunicador de televisão Manoel de Nóbrega, que apresentava um programa de
reencontro entre desafetos, colocou Gino e Luizinho frente a frente, no ar.
Antes disso, nos bastidores, a amizade dos boleiros já havia sido reatada. “Nos
encontramos no café e o Luizinho, de braços abertos, me deu um grande abraço. O
Luizinho só se irritava quando estava em campo”, recordava Gino.
Mesmo com a reaproximação dos encrenqueiros, a
imprensa fez questão de fomentar a briga do amistoso e a tijolada de Luizinho
para aumentar ainda mais a rivalidade daquela final. E no grande dia - 29 de
novembro de 1957 - deu Tricolor, por 3 a 1, gols de Amauri, Canhoteiro e
Maurinho, enquanto Rafael marcou para o Timão.
POLÊMICO
No gramado, o catimbeiro Luizinho voltou a
polemizar. Gino sempre enfatizava o lance em que Luzinho colocou a bola entre as
pernas de Vitor e ele, Gino, apareceu na jogada para dar um bico na bola. “Bati
forte, mas na bola. Sem querer, a minha perna atingiu a barriga dele (Luizinho)
e o esperto ficou caído no chão, tentando me jogar contra a arbitragem, que
felizmente não entrou na dele”.
Na seqüência da partida, não fosse a providencial
interferência do ponteiro-direito Cláudio, do Corinthians, os encrenqueiros
voltariam a se estranhar, porque Luizinho provocou e o sangue de Gino já estava
esquentando.
Poy, De Sordi e Mauro; Sarará, Victor e Ribeiro;
Mauricinho, Amauri, Gino Orlando, Zizinho e Canhoteiro participavam do esquadrão
do São Paulo. Naquela final, Sarará substituiu Dino Sani, que estava contundido.
O Corinthians contava com Gilmar; Olavo e Oreco;
Isidoro, Valmir e Benedito; Cláudio, Luizinho, Índio, Rafael e Zague.
* É jornalista em Campinas e colaborador
do HP |