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Novo presidente da
AEB aponta para retomada das obras na Base Aeroespacial de Alcântara
Ao tomar posse
como presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) no dia 25, em Brasília,
Carlos Ganem disse que irá cobrar resultados para que o programa espacial
possa cumprir suas metas. Uma dessas metas é o lançamento do foguete Ciclone
IV, a partir de Alcântara, programado para 2010. “Esperamos caminhar com o
programa espacial que é tão importante para a soberania nacional”, disse.
As obras das
torres de lançamento de foguetes e satélites de Alcântara (MA) devem ser
retomadas nos próximos meses, segundo o ministro da Ciência e Tecnologia,
Sérgio Rezende, que participou da posse de Ganem.
“A torre é
uma obra relativamente simples e que pode ser reiniciada em poucos meses. O
Centro Espacial de Alcântara já é uma obra mais complexa, que envolve
primeiro fazer um projeto executivo, resolver algumas questões fundiárias,
de modo que nós prevemos iniciar no próximo ano”, afirmou o ministro.
Rezende informou que o governo deve gastar cerca de R$ 30 milhões com a
reconstrução da torre. Já o Centro Espacial deve custar entre R$ 300 milhões
a R$ 600 milhões, dependendo das dimensões do complexo.
Para o novo
presidente, o programa deverá não só cumprir o ciclo de lançamentos, mas ser
uma porta de desenvolvimento para as regiões Norte e Nordeste do país. Ele
citou a questão da demarcação de terras dos quilombolas. “Precisamos fazer
um programa espacial de inclusão. Estabelecer um pacto com a sociedade local
designada quilombolas. Essas pessoas devem fazer parte do progresso e não
ser expulsas por ele”, afirmou.
Depois do acidente
com o Veículo Lançador de Satélite (VLS), em 2003, uma licitação foi
realizada para a reconstrução da torre. Mas o processo ficou emperrado por
questões judiciais e, numa outra etapa, para análise no Tribunal de Contas
da União (TCU), que agora liberou a licitação após modificações.
O TCU também deu
um parecer sobre o Centro Espacial de Alcântara, um projeto para ampliar e
modernizar as instalações já existentes. Além de um edifício-controle,
seriam construídos hotéis e estradas no local. O projeto para o complexo
estava em análise no TCU há quase dois anos. No último dia 14, o tribunal
recomendou que o edital seja alterado. A AEB terá um mês para atender às
exigências. No edital original, a escolha dos concorrentes da licitação
deveria ser feita por dois critérios: preço e qualidade.
Durante a posse de
Carlos Ganem, o ministro Sérgio Rezende também falou da bem sucedida
parceria entre Brasil e China, no Programa Cbers (Satélite Sino-Brasileiro
de Recursos Terrestres), que está completando 20 anos, e da aproximação com
a Argentina, ressaltando a importância de novos acordos internacionais para
o avanço do Programa Espacial Brasileiro.
Afirmando que o
setor ainda precisa de estímulo, o astronauta brasileiro Marcos Pontes,
também presente à posse, disse, no entanto, que vê “uma ótima perspectiva de
futuro” para os projetos. “Há uma seqüência de coisas que podem ser feitas.
A capacidade técnica e geográfica nós já temos. Nós precisamos é nos livrar
dos empecilhos jurídicos e sociais para que as coisas funcionem e o Brasil
tenha desenvolvimento nessa área”, disse Pontes. Pontes citou, entre os
problemas a serem enfrentados, a falta de capacitação no setor. “Formação de
pessoal, educação e ciência são áreas do programa que têm ficado no limbo
durante bastante tempo”, disse. |