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Mugabe convoca povo a derrotar os que querem a volta do
colonialismo
CandidatoTsvangirai declarou a Wall Street Journal que se eleito
devolveria as
terras distribuídas na Reforma Agrária a
ex-colonos latifundiários
O
presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, convocou o povo a se unir e derrotar nas
eleições do próximo dia 29 “aqueles que querem trazer de volta o colonialismo ao
nosso país”, durante comício que reuniu 15 mil pessoas no estádio Mucheke, na
cidade de Masvingo.
O discurso do presidente do país africano foi uma
resposta às declarações de Morgan Tsvangirai, do MDC, que declarou ao jornal
norte-americano ‘The Wall Street Journal’ que se fosse eleito, no sábado,
devolveria aos ex-colonos ingleses as terras distribuídas ao povo através do
programa de Reforma Agrária de Mugabe.
“Nossa campanha é muito importante para defender as
vitórias da Revolução, as vitórias de nossa luta, nossa terra, a liberdade que
estamos desfrutando, o direito de nosso povo de determinar nosso futuro e o
direito do povo de escolher seus governantes” disse o chefe de Estado, candidato
a reeleição presidencial pelo partido Zanu, partido que comandou a luta pela
libertação nacional do Zimbábue. Ele conclamou: “o povo não deve permitir que o
poder seja entregue aos ingleses, e as terras, de novo, aos ex-colonos, de quem
o MDC e Morgan Tsvangirai são meras marionetes”.
INDEPENDÊNCIA
O país do sudeste da África foi colônia inglesa até
1980, quando após décadas de luta liderada por Mugabe, foi conquistada a
independência. Logo após a Reforma Agrária que tirou 60% das terras das mãos de
estrangeiros e descendentes, em 2000, o governo Blair passou a implementar uma
política de sanções econômicas ao país africano, iniciando uma orquestrada
campanha midiática - liderada pele rede de televisão inglesa BBC - sobre a
“falta de democracia” no Zimbábue e destacando problemas econômicos e sociais do
país, que foram extremamente agravados exatamente pelas sanções impostas.
O MDC é o preferido dos ingleses e norte-americanos
pelas suas promessas de privatizar todo o país e tornar o Estado “pequeno e
enxuto”. No ano passado, o MDC tentou derrubar o presidente através de golpe e
violência. As tentativas fracassaram e alguns arruaceiros, incluindo Tsvangirai,
passaram algum tempo na cadeia, o que bastou para a BBC – e o resto da mídia
pró-imperial - classificarem como “perseguição política”. “Os ingleses não
deveriam nos dar lições de democracia. Nós sofremos todos os tipos de sofrimento
sob seu domínio”, acrescentou Mugabe, que denunciou a avalanche de libras
esterlinas e dólares para o financiamento da campanha de Tsvangirai, alertando
que as empresas inglesas no país envolvidas ilegalmente “terão que se cuidar
depois do pleito”.
Prevendo uma nova derrota no sábado, mesmo com o
dinheiro e com a grande mídia ao seu lado, o fantoche de Londres já anunciou
“estar preparando a ‘batalha’ para após as eleições”.
“Em 29 de março entregaremos a eles nossa resposta...
o voto que irá desalentar os ingleses e os fará sentir a dor por apoiar o MDC”,
disse. “É o povo do Zimbábue que pode fazer mudanças em nosso país, não vocês,
velhos imperialistas. Fiquem de fora”, conclamou, sob aplausos da multidão que
acompanhou o discurso no estádio.
INVESTIMENTOS
O comandante do Zimbábue afirmou que o governo irá
continuar os investimentos na infra-estrutura do país com a construção de
hospitais, clínicas, escolas, universidades e politécnicas, como vem sendo feito
desde a independência em 1980. Ele disse que a meta é que cada estado do
Zimbábue possua, ao final do próximo mandato, no mínimo uma universidade
pública, uma escola politécnica e um centro de treinamento.
“Quando eu era professor, em 1945, tinha apenas 21
anos de idade e lecionava na Escola Plumtree, exclusiva para garotos brancos.
Hoje ela é nossa”, lembrou o líder.
Ele acrescentou que a próxima prioridade do governo é
o setor de mineração. “As minas ainda estão sob o controle das companhias
brancas, companhias européias”.
RODRIGO CRUZ |