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Cristina Kirchner toma medidas para diversificar a
produção de alimentos
Taxas sobre exportação de soja e oleaginosas serão
utilizados para financiar agricultores que produzem para o consumo
interno
Com o
aumento exponencial do preço de matérias primas no mercado internacional
e a repercussão disso na Argentina, o governo do país tomou como medida
elevar os impostos cobrados pela exportação de alguns grãos –
principalmente soja e girassol -, com o objetivo de desvincular os
preços internos dos internacionais e incentivar a diversificação da
produção de alimentos.
Nos
documentos que esclarecem as medidas e seus objetivos, o Ministério de
Economia informou que o preço internacional da soja aumentou 68% nos
últimos seis meses; e o do girassol, 91%.
O ministro
Martín Lousteau afirmou que a nova estrutura de tributos de exportação
será móvel de forma que o lucro que os produtores vinham obtendo no
final de 2007 não será reduzido. O valor recebido pelos exportadores
deverá ser sempre o mesmo a partir do momento em que entrar em vigência
a nova resolução. O mecanismo de retenções móveis passará a fazer com
que este valor não mude, ainda que a cotação internacional se mexa
violentamente para cima ou mesmo para baixo.
A Sociedade
Rural Argentina - entidade que participou ativamente dos golpes de
Estado perpetrados no país, e que organiza os 80 proprietários que
controlam 70% do total exportado – convocou um locaute patronal no campo
com violentos bloqueios de estradas e até “panela-ços” nos bairros ricos
de Buenos Aires para protestar pela “intervenção do Estado na economia”.
“Não vou me submeter a nenhuma extorsão”, avisou a
presidente Cristina Kirchner, assinalando que os protestos são os
“piquetes da abundância” feitos pelo “setor que teve a maior
rentabilidade dos últimos anos”. “Enquanto esses poucos fazendeiros
bloqueiam estradas, têm seus peões como os trabalhadores mais mal pagos
de toda a escala salarial, sem seguridade social, sem carteira assinada,
trabalhando para que os donos dos campos pudessem continuar exportando.
Tudo isso, apesar das constantes inspeções que fazemos através do
Ministério do Trabalho. Todo mundo sabe que o que estou falando é
verdade”, afirmou Cristina.
“Se não houvesse retenções, quero dizer aos
argentinos, o frango, a carne, o leite chegariam a preços inviáveis”,
destacou.
“Esse tributo”, prosseguiu, “que não começou com o
governo do presidente Kirchner, que existe desde o século XIX, funciona
quando se aplica um tipo de câmbio competitivo, precisamente porque é um
tributo vinculado à exportação, a retenção atua como um efeito
redistributivo que permite também o pagamento de compensações”, explicou
a presidente, acrescentando que “o setor leiteiro, por exemplo, recebe
compensações para que o preço do leite possa ser acessível a todos os
argentinos”.
Para retroagir os preços aos níveis de dezembro, o
governo aumentou em 9,1 pontos o imposto retido para a soja – passou de
35% a 44,1% em média -, e em 7,1 pontos a retenção do girassol – ficou
em 39,1% em média. Reduziu a retenção correspondente ao milho em 0,9% e
em 0,9% a do trigo – antes em 25% e 28%.
Argentina é o terceiro exportador mundial de soja, e
o primeiro em azeites e farinhas de oleaginosas. A soja gerou entradas
totais de 24 bilhões de dólares em 2007, mas esse crescimento tem sido
em prejuízo da pecuária, do trigo e do milho, situação que o governo
busca equilibrar através de medidas econômicas, como as retenções
referidas acima, para fornecer alimentação a preços compatíveis para a
população. |