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UNESCO descredencia ‘Repórteres Sem Fronteiras’ por suas
mentiras sobre direitos em vários países
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura, UNESCO, decidiu, em 11 de março passado, retirar seu
patrocínio ao “Dia pela liberdade na Internet”, organizado pela ONG
Repórteres Sem Fronteiras (RSF), em virtude “da reiterada falta de ética em
sua vontade de desprestigiar a determinados países”.
A lista de quinze países “inimigos da Internet”
elaborada por esse agrupamento e massivamente divulgada pela mídia
norte-americana que provocou o afastamento e condenação da UNESCO é
composta, para variar, pela China, Coréia do Norte, Cuba, Irã, Uzbequistão,
Síria, Vietnã, Zimbábue, entre outros.
Intervenções violentas e descabidas da RSF, como a
sabotagem à cerimônia que acendeu a chama olímpica na Grécia, contra a
realização dos Jogos na China, levaram à entidade da ONU a retirar qualquer
vínculo com a ONG financiada pela National Endowment for Democracy (NED),
escritório que atua como biombo da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA).
Não é de agora que A RSF funciona como instrumento da
política de Washington. O escritor e jornalista francês, Salim Lamrani,
selecionou em artigo publicado pelo portal Rebelion alguns dos seus
antecedentes.
A própria ONG confessa que é financiada pela NED.
“Efetivamente, recebemos dinheiro da NED... E isso não nos traz nenhum
problema”, disse Robert Ménard, secretário-geral desde 1985 do grupo, em
Foro de discussão da revista Le Nouvel Observateur, em 2005. A NED, criada
pelo governo de Ronald Reagan em 1983, tem como objetivo, segundo assinalou
o insuspeito jornal New York Times, em 31 março de 1997, “realizar
publicamente o que sub-repticiamente tem feito a CIA durante décadas. Gasta
milhões de dólares ao ano para apoiar partidos políticos, sindicatos,
movimentos dissidentes e meios informativos em dúzias de países”.
TORTURA
Ménard legitimou a tortura, seguindo a decisão de
George W. Bush que vetou o projeto de lei cujo objetivo era proibir o uso do
waterboarding, uma cruel técnica de tortura que provoca na vítima uma
terrível sensação de afogamento. Durante o programa de rádio “Contre-expertise”,
da Porte en France Culture, em 16 de agosto de 2007, o chefe da RSF afirmou
que era “legítimo torturar suspeitos para salvar a vida de inocentes”.
A RSF fez apologia da invasão ao Iraque afirmando que
“a derrubada da ditadura de Sadam Hussein pôs termo a trinta anos de
propaganda oficial e abriu uma nova era de liberdade, cheia de esperanças e
possibilidades, para os jornalistas iraquianos”. Acrescentou que “para os
meios de comunicação iraquianos, anos de privação total da liberdade de
imprensa chegaram ao fim com o bombardeio do Ministério de Informação, em 9
de abril em Bagdá”. Até hoje defende a invasão americana ao Iraque.
- O Haiti, durante a presidência de Jean-Bertrand
Aristide, também foi alvo da RSF. Quando o presidente foi derrubado por um
golpe de Estado orquestrado pelos Estados Unidos, os Repórteres aplaudiram o
golpe com uma manchete em seu portal www.rsf.org : “A liberdade de imprensa
recuperada: uma esperança a manter”.
VENEZUELA
- A Venezuela e o presidente Hugo Chávez, na mira do
governo norte-americano, têm sido também objeto destacado da atenção da RSF.
Durante o golpe de Estado de abril de 2002, Robert Ménard publicou um artigo
em que defendia a versão dos golpistas, tentando convencer a opinião pública
mundial de que Chávez havia renunciado. “No palácio presidencial, Chávez
assinou a sua renúncia durante a noite. Depois foi levado ao Forte Tiuna, a
principal base militar de Caracas, onde está detido. Imediatamente depois,
Pedro Carmona, presidente da Fedecámaras, anunciou o governo de transição.
Seu nome foi o resultado de um ‘consenso’ da sociedade civil venezuelana e
do comando das Forças Armadas”. Os RSF fazem permanente campanha contra a
“falta de liberdade” na Venezuela.
- A RSF reconhece que recebe dinheiro do Center for a
Free Cuba, uma organização de extrema direita, financiada pelos EUA, cujo
objetivo é derrubar o governo cubano, como estabelecem seus estatutos.
- A jornalista cubana Rosa Baez revelou, em artigo do
portal Voltairenet.org., que as mais desonestas campanhas da RSF foram
criadas e financiadas pela Publicis, empresa de publicidade que conta entre
seus principais clientes o Exército dos EUA, a Coca-Cola, General Motors,
Citibank, a Bacardí, a Dupont, Johnson & Johnson e Visa.
- Outro dos generosos patrocinadores dos RSF é
Jean-Marie Messier, o anterior presidente francês da multinacional Vivendi
Universal, que enganou a 28 milhões de cidadãos franceses abastecidos de
água pela Vivendi Environnement (VE), desviando 5 bilhões de euros,
reservados pela empresa para a renovação de tubulação e canais obsoletos nas
redes de aquedutos em 8000 municipalidades francesas, com o objetivo de
especular no falido mercado financeiro norte-americano. O livro “A água da
Vivendi: as verdades inquestionáveis, escrito pelo ex-funcionário da VE,
Jean-Luc Touly, revelou os métodos de Messier e o profícuo patrocínio aos
Repórteres Sem Fronteiras.
Os RSF, depois da encenação feita por Ménard e outros
dois mercenários em Olímpia, no dia 24, anunciaram outros atos com o
objetivo de propagandear o boicote aos Jogos Olímpicos na China, se somando
a campanha da mídia pró-americana em defesa do separatismo do Tibet. |