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Resistência
ataca Zona Verde e combates se alastram no Iraque
O governo
fantoche decretou toque de recolher em seis províncias do sul, enquanto
combates se sucediam na segunda maior cidade do país, Basra, em grande parte
de Bagdá e também em Mossul, Tikrit – terra de Sadam - e outras cidades do
norte
No que foi descrito pela “Associated Press” como
o “mais sustentado ataque em meses contra o centro nervoso” dos EUA no
Iraque, uma saraivada de foguetes e morteiros atingiu na alvorada de domingo
dia 23 a forti ficada “Zona Verde”, QG da ocupação, provocando
uma dezena de explosões, colunas de fumaça negra, sirenes soando, vôos
rasantes de helicóptero e um número não divulgado de baixas e danos. Na
terça-feira e na quarta-feira, a Resistência voltou a fazer a Zona Verde de
peneira, com pelo menos mais oito baixas, entre ianques e fantoches. Já o
governo lacaio decretou toque de recolher em seis províncias do sul,
enquanto combates se sucediam na segunda maior cidade do país, Basra, em
grande parte de Bagdá e também em Mossul, Tikrit – terra de Sadam - e outras
cidades do norte. O Pentágono admitiu oficialmente mais sete invasores
mortos – totalizando 4 mil – no final de semana e, na quarta-feira, foi a
vez dos ingleses confessarem mais um morto.
SEM
COBERTURA
Mas Bush e seu general David Petraeus não
garantiam que estava tudo na maior calmaria e sob inteiro controle, graças
ao “Surge” (Escalada)? Não é que o Projeto de Excelência em Jornalismo do
Centro de Pesquisa Pew Research, que mede o conteúdo do noticiário de um mix
de jornais, websites, tv e rádio dos EUA, revelou que nos últimos seis meses
foi dado sumiço nas notícias sobre a guerra do Iraque? Ou, como informou a
AP, “A Guerra do Iraque desaparece da mídia dos EUA”. “Enquanto no conjunto
de 2007, a guerra do Iraque ocupava 15, 5%
do noticiário da mídia, no último trimestre caiu para 9%, e então para
apenas 3,9% no primeiro trimestre de 2008”. A coisa chegou ao ponto de “até
mesmo as trapalhadas da atormentada pop star Britney Spears ofuscaram a
guerra desde o final do ano passado”. Invertendo o sentido da operação-abafa,
a pesquisa considera que “conforme diminuiu a cobertura da guerra, também
assim com o interesse do público nas notícias sobre o Iraque”.
Mas eis que a realidade, a dura realidade, se
impõe. Na quarta-feira, foram pelo menos 16 os foguetes disparados contra a
Zona Verde. No bairro que a mídia dos EUA apelidou de “Sadr City”, no
noroeste da capital, e com dois milhões de habitantes, integrantes da
milícia Mahdi (que já se sublevou em 2004 contra a ocupação, mas depois fez
uma composição com o governo fantoche e com a ocupação), enfrentaram com
metralhadoras, bombas e lança-foguetes cerco montado pelos invasores com a
ajuda de tropas colaboracionistas. No relato da Reuters, “uma testemunha viu
colunas de fumaça preta e ouviu explosões e rajadas de metralhadora. TVs
mostraram soldados iraquianos correndo por ruas vazias, sob a cobertura de
helicópteros”. Já o “New York Times” descreveu “camadas de postos de
controle, cada um com duas dezenas de combatentes da milícia de Mahdi
fortemente armados. Pneus queimados, tiroteio ecoando contra lojas fechadas,
equipes de combatentes em pickups com metralhadoras, atiradores com rifles e
lançadores de granadas”.
BASRA
Na segunda maior cidade iraquiana, e principal
centro petroleiro do país, Basra, se sucederam os combates entre os
milicianos e tropas colaboracionistas orientadas por “conselheiros” dos EUA
e com apoio de aviões e helicópteros dos EUA e ingleses. Ao que tudo indica,
a operação é para garantir nas mãos dos capachos mais confiáveis as
instalações e os poços de petróleo do sul, os maiores do Iraque, e reduzir à
bala o espaço dos chamados “sadristas” nas próximas eleições provinciais
planejadas para outubro. O próprio primeiro-fantoche, Nuri Al Maliki, e que
já chegou a ter como seu principal sustentáculo os “sadristas”, se refugiou
na base inglesa nos arredores de Basra, para posar de “comandante da
operação”. Maliki deu, inclusive, um “ultimato” de 72 horas para a deposição
das armas.
“MR. MALIKI”
De acordo com o porta-voz do Pentágono,
major-general Kevin Bergner, “Mr. Maliki e seus ministros de segurança
planejaram e desencadearam [a operação] por conta própria”. Como se fantoche
mandasse em alguma coisa. As tropas dos EUA estavam em “standby”, asseverou,
para ser desmentido pelos helicópteros e bombardeiros dos EUA que davam
cobertura aos assaltantes. 25 mil colaboracionistas, entre policiais e
soldados. O jornal inglês “Sunday Mirror” deu outra versão: de que os
americanos teriam pedido ao exercito inglês um operação “Surge” para retomar
o controle de Basra, sem conseguir. Parece que, na falta do cão, se viraram
com o gato.
Em Basra, outro porta-voz, desta vez um
inglês, major Tom Holloway, anunciava que as “forças iraquianas” estavam
limpando a cidade “bloco por bloco”. Na hora do aperto, um representante do
partido sadrista de Basra, sheik Abdul Satar Al Bahadli, confessou ao NYT
que “nunca testemunhamos tais ataques nem mesmo sob o regime de Sadam
Hussein”. Estava em vigor um “cessar fogo” unilateral desde agosto do ano
passado, e que havia sido renovado no mês passado. Segundo os dados
disponíveis, só nos primeiros dois dias, foram mortas 80 pessoas em Basra e
200 ficaram feridas, enquanto na capital o número de mortos ultrapassava uma
dezena, com mais 140 feridos. Não foi possível determinar quantas são as
baixas de cada lado. As províncias declaradas sob toque de recolher são
Karbala, Wassit, Babil, Qasidia, Thi Qar e Basra. Há combates nas principais
cidades dessas províncias. De acordo com a agência de notícias Xinhua, a
milícia ameaçou “incendiar os poços de petróleo” se a ofensiva não for
detida. A milícia de Mahdi afirmou que “agora controla a maior parte de
Basra”, “o porto de Abu Fulus no distrito de Abu Al Kasib” e a estrada entre
Amara e Basra.
CAMINHÃO-BOMBA
Mas os problemas do invasor e seus fantoches vão
além. Nesse mesmo fim de semana, um caminhão-bomba matou 13 soldados
colaboracionistas e feriu mais 42 na terceira maior cidade do Iraque, Mossul,
no norte. Dias antes, o NYT havia registrado que, somente em uma semana de
fevereiro, “ocorreram cerca de 180 ataques” – “um recorde e o dobro da taxa
de 18 meses antes”. Quando Bush resolveu fazer o “Surge” contra Bagdá, teve
de raspar o tacho em Mossul, onde restaram, por meses, “apenas 750
americanos” na cidade, e “2000 na província inteira de Nínive”. Um porta-voz
da tropa invasora em Mossul, capitão Patrick Ryan, relatou ao NYT que os
insurgentes estão tão fortificados na região oeste de Mossul, que eles
“regularmente penduram corpos [de colaboracionistas] nos postes da ponte” –
o débil-mental jura que é “para intimidar os moradores”. Em janeiro, uma
emboscada matou cinco soldados ianques e “um vídeo do ataque em 21 minutos
estava na internet”. Um comandante lacaio de Mossul, mas com certo senso da
realidade, ‘coronel’ Ali Omar Ali, registrou que “há aqueles que dizem que o
exército iraquiano pode controlar o Iraque sem os americanos”. “Mas eles são
mentirosos. Sem os americanos seria impossível para nós controlar o Iraque”.
ANTONIO PIMENTA
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