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César Maia contraria
própria Secretaria e diz que não há epidemia, “só indicadores”
Uma
semana após ter início a operação conjunta dos governos federal e estadual para
enfrentar a dengue que assola o Rio de Janeiro, o prefeito da capital, César
Maia, concedeu uma entrevista coletiva, na última quarta-feira, para afirmar que
a cidade não vive uma epidemia da doença. “Nós tivemos indicadores de epidemia,
mas não no Rio, apenas em Jacarepaguá”, disse.
Ao
contrário dos números apresentados pela própria Secretaria Municipal de Saúde,
que confirma aumento diário de casos e de mortes por dengue em toda a capital,
César Maia afirmou que houve indicadores em algumas regiões nos meses de janeiro
e fevereiro, mas que os casos estão diminuindo. “A minha curva de amostragem é
decrescente”, disse o prefeito. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o total
de casos registrados no primeiro trimestre deste ano saltou de 23.555 na
segunda-feira (24) para 28.233 casos na quarta-feira (26), e o número de mortes
já chega a 31, a maioria crianças.
Segundo
o Prefeito, a dengue no Rio se espalhou este ano porque ele não foi comunicado
oficialmente de que haviam casos no Maranhão e no Piauí. “O Ministério da Saúde
não fez uma orientação sobre o caso de óbitos de criança quando soube, e
criminosamente omitiu. Houve omissão nessa matéria. Só poderíamos ter agido sob
orientação do ministério”, disse o prefeito tentando justificar a ausência de
medidas, pois no ano passado o Rio já registrava 25.107 casos de dengue e os
óbitos infantis são registrados desde 1992 quando, com José Serra a frente do
Ministério da Saúde, o Brasil viveu a maior epidemia de dengue de todos os
tempos.
TEMPORÃO: “NÃO FALTOU AVISO”
“Não
faltou aviso”, respondeu o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. “Expedi
ofícios, repassei recursos, treinei pessoal. O Ministério da Saúde, com suas
limitações, fez o que deveria ser feito”, garantiu. Segundo Temporão o alto
número de mortes no Rio ocorre em função da desestruturação do atendimento
básico. “Falo isso desde que assumi o Ministério. Não é coisa nova. O Rio
precisa mudar seu modelo de atenção primária”, reforçou o ministro. |