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Para Nilson,
medidas do governo contra a crise são positivas, mas precisam avançar
Em
conferência na reunião da direção nacional da CGTB, realizada na última segunda-
feira (3), o economista Nilson Araújo de Souza afirmou que a crise econômica
internacional, cujo epicentro foi os EUA, é uma crise estrutural do sistema
capitalista e que as medidas tomadas pelos governos norte-americano e europeus
de injetar recursos nos bancos irá funcionar como um curativo, adiando por um
tempo o acirramento do problema.
De acordo com o
professor, a crise teve como uma das causas o déficit “trigêmeo” americano,
formado pelo déficit familiar, o externo (importações maiores do que as
exportações) e o déficit público, que somados atingem 36 trilhões de dólares, ou
três vezes o PIB dos EUA.
Nilson disse que é
necessário implementar mudanças profundas na economia mundial, tais como a
ampliação do peso do Estado no sistema bancário, a regulação do sistema
financeiro e o aumento dos investimentos públicos em obras de infra-estrutura
para gerar empregos e ampliar a renda Como exemplo, o economista citou as
medidas adotadas pelo governo Getúlio Vargas após a depressão de 1929, que
levaram o Brasil a ser o primeiro país do mundo a sair da recessão já em 1931.
“Essa ideologia de
que o Estado deve sair da economia desabou agora. Desabou porque foi feito tudo
de acordo com o figurino [neoliberal], que levou a crises localizadas na década
de 90 e agora ela chegou aos EUA. E o que eles fazem? O velho Estado, o Estado
velho de guerra, passa a ser usado novamente. Eles diziam que o Estado não
servia para nada, eram um dinossauro. Agora eles chamam o Estado para socorrer o
sistema. Mas de que forma? Nos Estados Unidos colocaram o Estado para comprar
títulos podres dos bancos. Isso significa que o governo injetará US$ 700 bilhões
em títulos podres. Somando o que já foi injetado no ano passado, o valor chega a
quase US$ 2,3 trilhões aportados nos bancos para tentar acabar com a crise, mas
ela só se agrava. Ao invés de salvar a economia, estão salvando os bancos”,
afirmou Nilson.
Já na Europa,
destacou o economista, a situação é um pouco diferente, porém com a mesma
ineficácia. No velho continente, os governos estão comprando ações dos bancos,
mas ações preferenciais que não dão direito a voto, mantendo o controle privado.
Na China, a opção foi diferente, ou seja, o governo baixou um pacote de US$ 260
bilhões para investir em ampliação e modernização das ferrovias, medida esta
usada para gerar emprego, renda e impulsionar o mercado interno.
Nilson Araújo
afirmou que desta vez o Brasil não foi tão afetado como em outras épocas, quando
um espirro lá fora causava uma pneumonia por aqui. Isso ocorreu devido às
reservas internacionais do país, mais robustas hoje, ao fortalecimento do
mercado interno, aos investimentos do PAC e pelos superávits comerciais elevados
dos últimos três anos. “O fato de estarmos mais protegidos, não significa que
não teremos problemas”, salientou.
Entre as questões
que geram preocupações estão o alto volume de capital especulativo que se
encontra no país - 268 bilhões de dólares, valor superior aos 206 bilhões das
reservas, que podem sair a qualquer momento -, a queda na balança comercial e o
rombo na balança de serviços, causado principalmente pela remessa de lucros ao
exterior, que chegará a US$ 36 bilhões este ano.
Para Nilson Araújo,
o governo tomou medidas positivas, porém insuficientes, para evitar um mal
maior: diminuiu o compulsório, editou a MP que autoriza o BB e CEF a comprar
bancos e a não remuneração de 70% dos compulsórios depositados no BC, tomada
para forçar os bancos a emprestar dinheiro e diminuir a especulação com os
títulos públicos. No entanto, destacou, elas não serão suficientes para vacinar
o país e para manter o crescimento econômico.
Entre as ações
sugeridas pelo economista estão o aumento da participação do Estado no sistema
bancário, a redução dos juros, a manutenção e aceleração do PAC para compensar
no mercado interno a queda das exportações, o fortalecimento e recuperação do
salário mínimo e a substituição das importações por produtos produzidos no país. |