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Uma longa jornada
Quando Rutha
Mae Harris se dirigiu para votar na cidade de Albany, Georgia, no dia 4 de
novembro, cantarolava algumas das canções que acompanhavam os membros da
comunidade negra da cidade nas marchas pelos direitos civis, é o que relata a
reportagem do articulista norte-americano Kevin Sack.
Ela tinha
21anos de idade quando Obama nasceu - em 1961 - quando frequentava encontros
massivos realizados na Igreja Batista local. Cantou aquelas canções - entre elas
We shall overcome (Nós superaremos), citada por Obama em seu discurso da
vitória - ao se dirigir à prefeitura da cidade exigindo o direito de votar junto
com outros jovens estudantes negros.
Canções que
davam ritmo, unidade e força aos protestos. Cantava estas músicas quando junto
com membros da comunidade negra lotou a cadeia local ao lado do Reverendo Martin
Luther King. Segundo o reverendo, a mais infecta cadeia por ele freqüentada em
todo o país.
“Para aqueles
que junto com ela enfrentou prisões, espancamentos e ameaças à vida, tudo por
que queriam votar, o curto caminho até a urna, na terça, culminou uma longa
jornada”, conta Sack, em sua matéria publicada no New York Times. “Como ela
muitos que haviam militado pelos direitos civis não conseguiam esconder seu
júbilo e suas emoções, por votarem num afro-americano para presidente do país”.
“Chegou a
hora de colher algo da semeadura”, afirmou Harris. Ao chegar no Ginásio local,
Harris encontrou Mamie Nelson, uma amiga, agora com 80 anos, que a recebeu com
um abraço: “Nós marchamos, cantamos e agora está acontecendo, é um sentimento
que não consigo descrever”, disse-lhe Mamie.
Horas depois,
elas e todos os que acompanhavam o anúncio da vitória de Obama não conseguiam
conter as lágrimas.
Quando os
integrantes da Coordenação do Comitê Estudantil Não Violento (idealizado por
King) chegaram a Albany, em 1961, para estimular os negros a se registrarem, num
dos condados, o de Dougherty, apenas 100 dos 20 mil residentes negros tinham
registro. Descrever os eleitores negros como analfabetos era um dos métodos para
negar-lhes o registro. Perguntas tais como “Quantas bolhas há numa barra de
sabão?” faziam parte dos testes aplicados aos negros que buscavam se inscrever
em Albany.
O movimento
cresceu e em 1965 o governo federal firmou a lei que proibia o uso de ações
discriminatórias para impedir o registro de quem quer que fosse. Em 2008, o
esforço dos negros para superar todo tipo de truque, ainda hoje usado pelos
setores mais retrógrados nos EUA para impedir ou evitar que fossem às urnas, foi
uma contribuição determinante para a vitória do candidato democrata. |