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Lula: melhor
solução para a crise é que os países ricos resolvam seus problemas
"Nossa receita
contra a crise é expandir nosso mercado
interno: mais produção, mais emprego, mais inclusão social”
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a melhor solução para que a
crise financeira iniciada nos Estados Unidos não se alastre “é os países
ricos resolverem seus problemas”. “Não adianta ficar procurando medidas
paliativas se não resolver o problema crônico da política econômica
americana e da política econômica européia”, ressaltou, antes da abertura da
reunião do G-20 em Washington.
Na
reunião, o presidente destacou no discurso que fez aos chefes de Estado o
empenho dos países em desenvolvimento como o Brasil para estabilizar suas
economias “ao mesmo tempo em que retomavam o crescimento e desenvolviam
ambiciosos programas de inclusão social e de redução da pobreza e das
desigualdades”.
“Todo esse
esforço, resultante de forte mobilização social e política em nossos países,
está hoje ameaçado por uma crise que não criamos. Ela nasceu nos países
centrais. É fruto da ganância de irresponsáveis especuladores e da absoluta
falta de mecanismos sérios de regulação dos mercados financeiros”,
salientou. “Nossa receita contra a crise é expandir nosso mercado interno.
Precisamos de mais produção, mais emprego, mais inclusão social”, assinalou,
lembrando que o Brasil não vai abdicar dos investimentos no Plano de
Aceleração do Crescimento.
Lula
também defendeu a regulação dos mercados financeiros, pois “não é justo que
alguém fique bilionário sem produzir uma única folha de papel, sem produzir
um único emprego, sem produzir um único salário”. “São necessários
mecanismos de controle e supervisão das finanças mundiais”, continuou Lula,
defendendo a reestruturação de instituições multilaterais, como Fundo
Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial.
“Os organismos multilaterais existentes e as regras internacionais vigentes
foram reprovados pela história”, disse Lula, cobrando abertura para uma
participação maior das economias em desenvolvimento. “Isso significa mais
voz, representação e voto” para esses países. “Só assim poderemos garantir
uma efetiva supervisão e regulação dos mercados financeiros nos níveis
nacional e internacional”, opinou.
Na última
segunda-feira (17), em seu programa semanal Café com o Presidente, Lula
reiterou que a solução para os problemas mundiais requer “a participação não
apenas dos países mais ricos do mundo, mas dos países emergentes, dos países
em vias de desenvolvimento, que têm uma grande população”. “Finalmente,
todos os países se colocaram de acordo de que precisamos tomar decisões
coletivas para evitar que uma tomada de posição em um país possa prejudicar
outro”, disse sobre a reunião do G-20. |