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Skaf: bancos estão catalisando a crise
O presidente da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse ao presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, na segunda-feira (17), que “o setor financeiro
está brincando com coisa séria. Está jogando um catalisador na crise
brasileira”. Skaf alertou para os altos juros que os bancos estão cobrando
dos tomadores de empréstimos (spread). “Não adianta a empresa tomar e
quebrar. Ou não tem o recurso ou, quando tem, está com um custo que é melhor
não tomar. Isso é jogar um catalisador da crise no Brasil”, avaliou.
As declarações do empresário foram feitas
durante almoço com o presidente do Banco Central e o presidente da Coréia do
Sul, Lee Myung Bak, na sede da Fiesp, segundo relatou a jornalistas o
próprio Skaf.
O presidente da Fiesp disse que as críticas não
ficaram restritas aos bancos, mas também em relação aos juros altos do BC.
“Não há dúvidas de que é preciso baixar a Selic. No mundo inteiro os juros
caem”, declarou Skaf. Ele citou que a inflação na Coréia será de 4,% a 5%
este ano e os juros básicos daquele país estão em 2,4% ao ano. No Brasil, a
inflação será de 6,00% e a taxa básica está em 13,75%.
Ao questionar o spread bancários, Skaf
apresentou um levantamento semanal, realizado pelo BC, dos dias 29 de
outubro a 4 de novembro, mostrando que o Banco Real cobrava para
adiantamento de contrato de câmbio (ACC) variação cambial mais 18,2% ao ano.
No mesmo período, o Banco Itaú cobrava variação cambial mais 21,6% ao ano,
enquanto o Unibanco mais 12,5% e o Banco do Brasil, 8,7%. Já o Bradesco
cobrava 6,3% mais variação e o Santander, 7,1%.
“Isso é altíssimo”, se indignou Skaf. “A origem
do funding é a mesma. A pergunta que faço é a seguinte: por que um banco
pode cobrar 6,3% e o outro tem que cobrar 21,6%”, questionou. |