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TRF mantém De Sanctis no processo e derrota Dantas
Para
desembargadores, o juiz da 6ª Vara Federal é isento e imparcial para julgar DD
A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª
Região decidiu, na segunda-feira (17), por dois votos a um, que o juiz da 6ª
Vara Federal, Fausto De Sanctis, continuará à frente do processo que investiga
os crimes cometidos por Daniel Dantas e sua quadrilha. A relatora Ramza Tartuce
e o desembargador André Nekatschalow votaram contra o afastamento do juiz,
enquanto o desembargador Peixoto Junior votou a favor.
A ação pedindo o afastamento do juiz foi
impetrada pelos advogados de Daniel Dantas poucos dias depois da realização da
Operação Satiagraha, que prendeu Dantas, Naji Nahas e o ex-prefeito de São
Paulo, Celso Pitta, entre outras pessoas. Os advogados do banqueiro alegaram que
De Sanctis atuava de maneira parcial.
A decisão do TRF3 representa uma grande derrota
na manobra arquitetada pelos advogados de Dantas para tentar impedir o
julgamento do escroque pela Justiça Federal. Dantas responde pelos crimes de
tentativa de suborno (corrupção ativa), gestão fraudulenta, formação de
quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, e uso de informações
privilegiadas.
O juiz De Sanctis divulgou, no fim de semana,
uma nota rebatendo as acusações contra ele e contestando as manobras pró-Dantas
na mídia. “Com relação às últimas publicações acerca da Satiagraha cabe-me
esclarecer o seguinte: Todas as informações obtidas por ocasião do cumprimento
das primeiras decisões judiciais são fruto de interceptações telemáticas e
telefônicas, exclusivamente das pessoas investigadas. Nada mais; O teor dessas
informações revelaria fatos e ações, sabedoras da investigação já em curso e
“mantida” sob sigilo; O segredo da operação é da sua própria natureza, diante
dos instrumentos processuais utilizados, e sua preservação, na ocasião, era de
rigor para a escorreita apuração da verdade; Todos os monitoramentos
(telefônicos ou telemáticos), conforme já comprovado pela própria Polícia
Federal, cingiram-se aos números das pessoas investigadas, não se tendo notícia
de uso indevido para alcançar pessoas diversas da investigação; Não há, pois,
nem por hipótese, como tecer insinuações acerca de “espionagem” da mais Alta
Corte do país, com práticas violadoras das regras jurídicas”, diz a nota.
Tanto a ação dos advogados de Dantas, derrotada
agora pelo TRF, como a representação disciplinar do deputado Raul Jungmann
(PPS-PE) no Conselho Nacional de Justiça, alegando que o juiz teria autorizado
escutas ilegais, visam cercear a ação da Justiça no processo que julga a
tentativa de suborno de Dantas ao delegado Vitor Hugo Rodrigues. O processo se
baseia no flagrante que a PF deu nos emissário de Dantas tentando subornar o
policial. Eles ofereceram mais de um milhão de reais para que Dantas e sua irmã,
Verônica Dantas, fossem retirados do inquérito policial em andamento. A
tentativa de suborno foi filmada, gravada, testemunhada e teve o dinheiro do
suborno devidamente apreendido pela PF.
A operação policial mostrou os emissários de
Dantas, Hugo Chicaroni e Humberto José da Rocha Braz, junto ao delegado Victor
Hugo Rodrigues Alves Ferreira tentando suborná-lo. Queriam que ele revelasse os
nomes que estavam sob vigilância da PF e pediram a retirada de Dantas e Verônica
do inquérito. Naquele momento, o juiz Fausto Martin De Sanctis autorizou a PF a
fazer uma ação controlada, com escuta telefônica e ambiental. Os contatos
seguiram e os dois foram presos.
Além disso, foi juntada ao processo a gravação
de uma conversa telefônica reveladora entre Daniel Dantas e Humberto Braz,
ocorrida dois meses antes da operação Satiagraha. Na conversa, Braz diz que está
“bolando um caminho” para convencer o delegado Protógenes.
Veja os trechos comprometedores da conversa:
Dantas: “Quem está responsável é esse Protógenes
mesmo. Se a gente já sabe quem é o endereço, se não podia entrar em contato?”
Humberto: “Mas o problema é que já entrou e diz
que não, não é?”
Dantas: “Não entrou diretamente com..., não?”
Humberto: “Entrou através de pessoas, mas, se
entrar diretamente, também vai dizer que não, mas nós estamos bolando um
caminho”.
O caminho encontrado foi a investida sobre o
delegado Vitor Hugo Rodrigues, da equipe de Protógenes. Este, com a autorização
da Justiça, fingiu aceitar o suborno de Dantas. Diante das provas, a
Procuradoria da República apresentou acusação formal contra Dantas. E é este o
processo que será julgado nos próximos dias pelo juiz Fausto de Sanctis. É este
também o motivo de tanta celeuma por parte de certa mídia, de Gilmar Mendes e da
bancada pró-Dantas no Congresso.
Sobre a resolução da 5 ª Turma do TRF3, o juiz
De Sanctis disse aos repórteres que “só foi uma decisão, não posso encarar como
uma vitória. Não posso encarar no plano pessoal”.
SÉRGIO CRUZ
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