|
A-320: Instituto
de Criminalística livra TAM/
Airbus e culpa pilotos mortos pela tragédia
As informações divulgadas, na última sexta-feira
(14), a respeito de laudo do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo sobre
a queda do Airbus da TAM no aeroporto de Congonhas jogaram por terra a tentativa
de setores da mídia de culpar o governo federal pelo acidente. Após a tragédia,
foi alardeado que a falta de ranhuras na pista recém reformada impediu o sucesso
do pouso no piso molhado.
No dia 17 de julho do ano passado, o Airbus
A-320 da TAM atravessou a pista principal de Congonhas em alta velocidade e
explodiu após chocar-se com um terminal de carga da companhia, causando a morte
de 199 pessoas. Agora, 16 meses depois do desastre, o laudo do IC aponta que
vários fatores contribuíram para a queda do avião, indicando que “houve um
equívoco no manuseio das manetes que levou o jato a varar a pista”.
Na época do acidente, há meses empenhados em uma
campanha para criar uma crise no setor aéreo, alguns veículos se apressaram em
concluir que a liberação da pista para operar sem grooving (ranhuras para
escoamento de água) teria provocado o acidente.
Os depoimentos de autoridades em aeronáutica,
atestando que as ranhuras na pista constituem mero acessório foram ignorados.
Assim como a existência de exemplos de falhas no sistema de frenagem automática
da aeronave.
Sobre essa hipótese, o coronel Antônio Junqueira
declarou durante depoimento a uma CPI no Congresso, em setembro de 2007, que uma
possibilidade de falha humana decorreria principalmente da confiança dos pilotos
no sistema de automação da aeronave.
Segundo o especialista, a fabricante do Airbus
deveria ter investigado com maior cuidado três acidentes semelhantes ao de São
Paulo, com o mesmo modelo de avião (Filipinas, em 1998; nos Estados Unidos, em
2002; e em Taiwan, em 2003), quando os aparelhos também pousaram com uma das
manetes em aceleração e outra em reverso.
Ele lembrou que, apesar das autoridades que
investigaram o acidente em Taiwan terem recomendado à Airbus a instalação de um
aviso sonoro do posicionamento das manetes enquanto uma delas estivesse em
aceleração, a empresa só adotou a recomendação 25 meses depois. A TAM, ressaltou
Junqueira, não instalou o aviso em seus aviões, medida que custaria em torno de
R$ 9 mil – valor irrisório em relação ao da aeronave (cerca de R$ 152 milhões).
Outro especialista, John Sampson, da Associação
Internacional de Segurança Aérea, disse que o sistema de reverso do A-320 tem
“uma armadilha mortal”, criticando o fato de que uma falha no equipamento ou um
erro no posicionamento da manete de uma turbina desativa o sistema de frenagem
automática na hora do pouso.
Agora, as responsabilidades da fabricante da
aeronave e da própria TAM são relativizadas no laudo do IC, que reforça a
alegação de falha dos pilotos no uso do equipamento.
VALTER FÉLIX |