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“Fortalecer o
Estado, redistribuir renda e reduzir o
desemprego”
“Reforçar a posição do Brasil para enfrentar a
crise”, propõem centrais
Em
documento unitário CUT, Força, CGTB, CTB, NCST e
UGT afirmam que “a crise do modelo que ora
desmorona impõe a necessidade de maior controle
estatal e democrático da atividade econômica”
Em manifesto unitário “ao presidente Lula, à sociedade e
aos trabalhadores”, CUT, Força, CGTB, CTB, NCST
e UGT afirmam que “a crise do modelo que ora
desmorona impõe a necessidade de maior controle
estatal e democrático da atividade econômica”.
Divulgado na noite de segunda-feira, o documento
destaca a necessidade do fortalecimento do
mercado interno para geração de emprego e renda,
apontando 18 propostas. Diante da importância do
tema, o HP reproduz abaixo uma síntese do
manifesto.
“A profunda crise financeira que surgiu a partir da
economia americana e se espalhou rapidamente
para os demais países jogou por terra, ou
melhor, colocou no devido lugar, o mito de que
os “mecanismos de mercado” são os mais
eficientes para alocar os recursos econômicos
das sociedades.
Trata-se, mesmo, do esfacelamento e do esgotamento de todo
o aparato teórico-prático do que convencionamos
chamar de “neoliberalismo”. A imposição dos
dogmas do livre-mercado e da auto-regulação
gerou, na verdade, o ambiente propício ao “ganho
fácil” e à especulação das mega corporações
multinacionais. A crise do modelo que ora
desmorona impõe a necessidade de maior controle
estatal e democrático da atividade econômica.
A título de proteger os depósitos e injetar liquidez nos
mercados, os vultosos recursos públicos
repassados pelos governos dos EUA, Japão e pelas
principais economias da Europa, ao sistema
financeiro internacional, cada vez mais
cartelizado e centralizado, e movido pelo lucro
máximo, se esterilizam na especulação. Hoje,
enquanto o PIB mundial, ou seja, a economia
real, é de cerca de US$ 65 trilhões, na esfera
financeira circulam, sob a forma de derivativos,
mais de US$ 600 trilhões.
Fica evidente que o combate a essa crise não surtirá
efeitos com medidas pontuais de injeção de
recursos circunscritas a alguns mercados, ainda
que ultrapassem cifras na casa de um trilhão de
dólares, pois o fenômeno se generalizou e atinge
toda a economia mundial.
A liberação do compulsório e de recursos dos bancos
públicos para ampliar o crédito para setores
econômicos como o automobilístico, a construção
civil, a agricultura e outros são medidas
positivas. Contudo, o setor financeiro privado
está aplicando em títulos da dívida pública o
dinheiro do compulsório liberado, ao invés de
emprestá-lo para o setor produtivo.
Diante dos riscos de desaceleração da atividade econômica,
apoiamos o teor das medidas emergenciais tomadas
pelo governo. Entretanto, consideramos que são
necessárias a adoção de políticas e medidas de
contrapartidas sociais que visem a proteção dos
trabalhadores e da população pobre.
Nossas principais propostas são:
1- implementar políticas econômicas anticíclicas, com base
nos recursos públicos, objetivando não só manter
o nível de emprego atual, mas também a sua
ampliação;
2 – manter e realizar os programas sociais e de
investimento público que são fundamentais para
contrabalançar a inevitável redução do
investimento e do consumo privados. O Estado é a
instituição decisiva para enfrentar a crise. As
vozes daqueles que até aqui apoiaram o
“consenso” que levou o mundo à crise, voltam a
entoar sua música enfadonha. São necessárias
outras propostas, não aquelas que levaram à
crise;
3 - reduzir os juros em linha com o que vem ocorrendo no
mundo inteiro. Como é possível desenvolver todo
o potencial da economia brasileira com os mais
altos juros reais do mundo?;
4 - implantar um vigoroso programa de substituição de
importações, para fortalecer o mercado interno e
reduzir a vulnerabilidade da economia;
5 – criar mecanismos de controle do fluxo de capital
externo e de controle do câmbio. Segundo dados
conservadores de 2007, cerca de US$ 268 bilhões
podem deixar o país num processo de fuga de
capitais expondo a relativa vulnerabilidade da
economia brasileira;
6 - todo e qualquer recurso público para ampliar a liquidez
do sistema bancário e crédito aos setores
produtivos deve ser acompanhado de
contrapartidas sociais na aplicação dos mesmos,
notadamente a preservação dos empregos;
7 - os fundos sociais dos trabalhadores - FGTS e FAT- o
BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica
Federal podem e devem apoiar esse esforço de
mobilizar os recursos públicos para combater a
desaceleração da economia. Tanto em direção aos
setores que devem ser apoiados, como para
garantir as contrapartidas sociais. O
investimento nas áreas de Habitação e Saneamento
são bons exemplos de setores que geram emprego e
reforçam a renda interna, já que os elos dessa
cadeia produtiva estão instalados no Brasil, com
efeitos positivos sobre a geração de emprego e
renda, e sobre a qualidade de vida da população.
Além disso, não pressionam a balança comercial e
as importações. Políticas voltadas para apoiar o
setor agrícola e a agricultura familiar reforçam
a segurança alimentar e combatem a inflação,
tornando-se fundamentais neste momento;
8 - a democratização do Conselho Monetário Nacional,
através de sua ampliação com participação de
representantes dos trabalhadores e do setor
produtivo, torna-se imprescindível para garantir
maior equilíbrio na formulação e nas decisões
das políticas monetárias do país;
9 - redução do superávit primário com o objetivo de
assegurar recursos para o gasto público e para o
Plano de Aceleração do Crescimento, fortalecendo
a política fiscal como instrumento de política
econômica anticíclica;
10 - ratificar e fazer cumprir, urgentemente, as Convenções
151 e 158 da Organização Internacional do
Trabalho (OIT);
11- garantir a continuidade da política de valorização do
salário mínimo negociada com as Centrais
Sindicais, assegurando a aprovação do Projeto de
Lei em tramitação no Congresso Nacional;
12 – extinção do Fator Previdenciário, que penaliza o
trabalhador no momento de sua aposentadoria;
13 - ampliar as faixas de rendimento da tabela do imposto
de renda e corrigir os seus valores anualmente
para manter o poder aquisitivo dos
trabalhadores;
14 - assegurar o cumprimento da Agenda do Trabalho Decente;
15 - promover a redução da jornada de trabalho, sem redução
dos salários, como instrumento efetivo de
criação de emprego;
16 - promover a desoneração tributária de todos os produtos
da cesta básica de consumo popular;
17 - ampliar o número de parcelas do seguro desemprego,
estendendo-o aos trabalhadores rurais
contratados na modalidade do “plano safra”, e
assegurando os recursos orçamentários para este
fim;
18 - retirar todos os projetos de lei em tramitação no
Congresso Nacional que objetivem a
flexibilização das relações de trabalho;
Essas são as propostas imediatas e de consenso das Centrais
para enfrentar o momento atual. Uma agenda
viável para o enfrentamento da pobreza e da
concentração de renda. Reconhecemos, ademais,
que a superação mundial da crise vai depender de
uma nova arquitetura do sistema financeiro
mundial.
A desmontagem da especulação financeira cobra um preço alto
daqueles que não fizeram parte da festa dos
ganhos fáceis. O Brasil terá voz decisiva na
construção desse novo arranjo internacional se
for capaz de propor uma agenda viável para o
enfrentamento da pobreza e da concentração de
renda. Em parte, isso está em curso no nosso
país. Mas, é preciso avançar muito mais. O
Movimento Sindical dos Trabalhadores está pronto
a exercer papel ativo e ser importante
referência na construção desta nova ordem
econômica e social. |