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Gonzalez,
advogado dos combatentes antiterroristas cubanos presos nos EUA:
“Ação de cinco heróis salvou inúmeras vidas de
cubanos”
Roberto
Gonzalez, advogado integrante da equipe de defesa dos cinco cubanos presos nos
EUA, esteve no Brasil para participar da 20ª Conferência da OAB, na cidade de
Natal. Concedeu ao HP a entrevista que segue
Hora do Povo: Por que foram presos os cinco cubanos?
Roberto
Gonzalez: Em 1998, o FBI prendeu Antonio Guerrero, Fernando González, Ger ardo
Hernández, Ramón Labañino e René González, cinco cubanos que se dedicavam a
salvar vidas e impedir atentados contra nosso país. Faz 10 anos e eles seguem na
prisão. Foram presos e julgados por demonstrar que organizações mafiosas de
cubanos no exílio em Miami, acobertados por setores do governo, realizavam ações
terroristas contra o povo de Cuba. Ou seja, estes cinco defensores da paz não
foram julgados por violar leis dos Estados Unidos ou por espionagem ou por pôr
em risco o governo dos Estados Unidos, e sim por lutar contra o terrorismo.
São pessoas que
nunca deveriam ter sido detidas. O cárcere não é feito para pessoas que prestam
serviços à sociedade.
A prisão dos
cinco cubanos reafirma a política de violência contra Cuba por parte do governo
dos EUA durante todos estes anos. Para os partidários dessa política não importa
que morram inocentes, que aviões da Cubana de Aviação sejam explodidos em pleno
vôo, matando dezenas de pessoas inocentes. As pessoas que tentam evitar que
esses fatos hediondos aconteçam é que vão parar na cadeia, enquanto que os que
cometem esses crimes estão livres em Miami, como Posada Carriles.
Eles, sem ferir
nem causar danos, apenas se dedicavam a observar e informar sobre os planos
desses grupos terroristas, trabalho que impediu de se realizarem contra Cuba
diversos atentados.
Num julgamento
ocorrido em Miami, lugar onde há forte influência econômica e política dos
líderes dessas organizações mafiosas, eles foram condenados. A própria juíza
reconheceu seu esforço contra o terrorismo. No entanto os condenou. O Painel
sobre Detenções Arbitrárias da Comissão de Direitos Humanos da ONU declarou que
os procedimentos jurídicos adotados contra os cinco foram ilegais e
arbitrários.
Caso o
novo presidente, Barack Obama, assuma o governo com um compromisso de travar a
luta contra o terrorismo, o que se pode esperar dele é que os libere.
HP - Você é irmão de René González, e como ele,
nasceu nos Estados Unidos e se criou em Cuba. O que você acha da atividade que
ele realizava?
Roberto
- Como irmão de René sinto um misto de dor e orgulho. O que eu gostaria é que
ele nunca tivesse sido preso. Mas, estamos todos muito orgulhosos de René. E se
tivesse que voltar a fazer o que fez eu o apoiaria. René não tem do que se
arrepender e eu não tenho nada que reprovar em sua atitude. O que ele e seus
companheiros fizeram era absolutamente necessário e só demonstra o heroísmo e a
generosidade deles. Graças à ação de homens como estes conseguimos descobrir
quem e aonde eram realizados planos terroristas que ameaçavam a vida de muitas
pessoas e com isso evitar que se viabilizassem. São um exemplo para todos.
A política dos
EUA até agora tem sido a de usar a “luta contra o terrorismo” como um pretexto
para invadir outros países.
Não há outra
exigência possível que não seja a sua imediata libertação.
HP-
Qual é a opinião dos norte-americanos sobre os cinco?
Roberto
- A imprensa dos EUA não dá espaço para que este caso seja conhecido pelos
norte-americanos, porque caso tomem conhecimento destes fatos, a opinião pública
americana se voltará contra seu aprisionamento.
Eu estive no
funeral da equipe de esgrima de Cuba, em 1976, quando explodiu um avião cubano,
tirando a vida de 73 civis inocentes.
Escutei bombas
explodirem em Havana, pois vivo próximo dos hotéis onde colocaram explosivos, em
1997.
Qualquer um que
tome conhecimento dos atos de terrorismo criminoso desses setores, e do que os
cinco faziam, que tenha o mínimo de consciência, o menor senso de justiça, sem
dúvida se definirá pela libertação dos cubanos injustamente presos.
E com o
trabalho de denúncia de muitos setores progressistas nos Estados Unidos e no
resto do mundo, cada vez mais pessoas rechaçam mantê-los na prisão.
HP- Qual é o próximo passo da Defesa?
Roberto
- Está para ser apresentada uma defesa por escrito diante da Corte Suprema dos
EUA
Houve uma
declaração do Painel de juízes de Atlanta, que pede a anulação do julgamento de
Miami, por má aplicação no que diz respeito à condenação por delito de
conspiração para espionagem. Juízes reconheceram pela primeira vez que os cinco
não obtiveram nem repassaram nenhuma informação relativa à defesa nacional dos
EUA.
Junto à Corte
Suprema vamos solicitar a anulação do julgamento. A base para isso é a violação
da lei e dos procedimentos processuais ocorridas no julgamento de Miami,
reconhecidas pelo painel de apelações de Atlanta.
Em 2005, a
Corte de Apelações de Atlanta declarou nulo o juízo. Posteriormente o pleno da
mesma corte revogou esta decisão. Estamos colocando para a Corte Suprema a
discussão destas questões.
HP
- Qual o motivo de sua visita ao nosso país?
Roberto
- Estou no Brasil atendendo a um convite da Ordem dos Advogados do Brasil, que
realizou a 20ª. Conferência Nacional da OAB, em 11 de novembro, em Natal. A OAB
tem apoiado de forma decidida a causa dos cinco, e se tornou a relatora do tema
perante as ordens de advogados União Internacional de Advogados e União
Ibero-Americana de Advogados.
A OAB tem dado
um aporte muito importante para o caso. Nos EUA, a Associação Nacional de
Advogados e o National Jury Project têm se colocado contra as decisões tomadas
em Miami.
Devido à
composição conservadora da Corte Suprema dos EUA, temos que ampliar a
solidariedade aos cinco companheiros injustamente detidos. Torna-se importante
que organizações de trabalhadores, religiosas, que políticos, intelectuais
manifestem o apoio à libertação dos 5. No Brasil recebemos o apoio de numerosas
entidades e políticos.
NATHANIEL BRAIA
Roberto falou no encontro
da União dos Advogados do Mercosul e na reunião de Advogados de Países de Língua
Portuguesa. Ele relatou que a Comissão de Direitos Humanos da ONU exigiu que as
esposas dos prisioneiros possam visitá-los. “No caso de René Gonzalez e Gerardo
Hernandez pediram vistos por nove anos consecutivos, que foram repetidamente
negados. Nunca receberam vistos para que pudessem visitar seus esposos”,
relatou.
“A defesa dos cinco
cubanos está a cargo de uma equipe de cinco advogados norte-americanos, entre
eles o Dr. Leonard Weinglass que tem realizado palestras em defesa da libertação
dos cinco, incluindo a Associação Nacional dos Advogados dos EUA”. |