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Colômbia: revolta contra roubo de arapucas
financeiras se espraiou por quinze províncias
Milhares
de colombianos que foram fraudados por empresas que deram o golpe da
“pirâmide” marcharam revoltados até as agências das arapucas, principalmente
a sugestivamente chamada Dinheiro Rápido, Fácil e Efetivo, DRFE, para
reclamar seus recursos e, ao achá-las fechadas, destruíram as sedes,
atiraram na rua seus equipamentos e móveis. Houve enfrentamentos com a
polícia. Em concentração no centro de Bogotá uma multidão se reuniu com
faixas condenando o descaso do governo que permitiu a gigantesca fraude e
exigindo o ressarcimento dos danos.
Foram milhares de famílias perderam toda a sua poupança
para os larápios que agiram à solta e à luz do dia.
O senador Jorge Robledo, do Pólo Democrático Alternativo,
responsabilizou o governo, e particularmente o presidente, Álvaro Uribe,
“pelas imensas perdas que dezenas de milhares de famílias colombianas estão
sofrendo por conta das chamadas pirâmides”.
Robledo assinalou que o governo tinha que saber que a
captação massiva de dinheiro do público está expressamente proibida pelas
leis colombianas, e tomar as medidas cabí-veis. ”Também tinha que saber que
as pirâmides tarde ou cedo entrariam em colapso e que nesse momento as
perdas poderiam chegar a milhões de dólares, como tudo indica que está
sucedendo”, acrescentou.
Ocorreram levantes em cidades de 15 departamentos
(províncias) do país, provocando 3 mortos e muitos feridos. Calcula-se que
dois milhões de pessoas foram lesadas.
Os poupadores, trabalhadores humildes, viram como o
dinheiro que depositaram nas pirâmides organizadas como empresas, que
prometiam em propagandas televisivas entregar retornos de até 300% ao ano,
se esfumara. Os fundadores e sócios dessas companhias, longe de responder
pelo desastre, fugiram. À falência da DRFE seguiu a queda de outras
pirâmides. Estima-se que poderiam estar em risco 150 milhões de dólares.
DESABAMENTO
As pirâmides que acabam de desabar na Colômbia têm por base
um esquema em que as pessoas investem seu dinheiro com a promessa de ganhar
juros exorbitantes sobre seus depósitos. Os frau-dadores envolvem também no
negócio a amigos e familiares para, com esses recursos, pagar os que
entregaram seu dinheiro antes.
“É voz corrente em toda a sociedade colombiana que por trás
das ‘pirâmides’ se escondem mecanismos de lavagem de dinheiro do
narcotráfico”, denunciou Tarsicio Mora Godoy, dirigente da Central Unitária
de Trabalhadores da Colômbia, CUT, ressalvando que isso não justifica o
governo apelar para a entrada de órgãos dos Estados Unidos, que com o
pretexto de combate ao tráfico, intervêm nas questões do país.
Depois de seis dias de crise e manifestações da população
revoltada, o governo decretou estado de emergência social e o
estabelecimento de poderes às autoridades locais para intervir nas empresas
que ilegalmente se dedicam a captar dinheiro. |