|
Obama reafirma
fechamento de Guantánamo e saída do Iraque
O presidente eleito
dos EUA afirmou em entrevista ao programa de TV “60 Minutes” que vai
“garantir que nós não torturemos” e defendeu um pacote econômico que crie
empregos e inclua “programas para reerguer a deteriorada infra-estrutura da
nação”
Em entrevista ao
programa “60 Minutes”, da rede de TV CBS, o presidente eleito Barack Obama
afirmou que “vai garantir que nós não torturemos”, e que irá “fechar [a
prisão de] Guantánamo”. A entrevista, vista por mais de 22 milhões de
espectadores, foi a ar na sexta-feira dia 14, e contou com a presença da
primeira-dama Michelle.
Antes, Obama havia
comentado que “os EUA não torturam”, para acrescentar, então, serem essa
duas questões imprescindíveis para “recuperar a estatura moral da América no
mundo”. As declarações foram em resposta a uma pergunta direta do
entrevistador Steve Kroft, se ele pretendia, já nos primeiros dias do seu
governo, por meio de decretos presidenciais, mudar “os métodos de
interrogatório” e “interromper Guantánamo”.
SEM EUFEMISMO
Obama não apenas
respondeu “sim”, como de bate pronto traduziu o eufemismo de Kroft, “métodos
de interrogatório”, por aquilo de que efetivamente se trata, tortura. Também
descartou a “interrupção” sugerida na pergunta, optando por reiterar que vai
“fechar” [a prisão de] Guantánamo. Em suma, anunciou que vai revogar a
oficialização da tortura e das prisões de exceção operada pelo governo de W.
Bush. No mesmo bloco, o presidente eleito reafirmou que, assim que tomar
posse, irá convocar o Estado-Maior e o aparato de Segurança Nacional para
“começar a executar um plano de retirada das nossas tropas” do Iraque.
Grande parte da
entrevista foi dedicada à crise econômica que aflige os EUA, e que se
espraiou para o mundo inteiro. Obama afirmou que sua primeira meta será
obter do Congresso a aprovação de um pacote de estímulo econômico que “crie
empregos e ponha dinheiro no bolso dos cidadãos comuns”, e que inclua
“programas para reerguer a deteriorada infra-estrutura da nação e o corte de
impostos para a classe média”, assim como as “primeiras medidas” para mudar
a saúde. Ele assinalou, também, que a “re-regulamentação” do sistema
financeiro será “uma alta prioridade” do seu governo.
Em tempos de
transição, Obama evitou uma crítica direta ao pacote de US$ 700 bilhões de
Henry Paulson e W. Bush, ou ao fato de que só beneficia os monopólios
financeiros, excluindo todos os demais, dos compradores de casas despejados,
à indústria automobilística à beira da bancarrota. Mas, indagado sobre que
coisas mudaria, ele destacou que irá estabelecer negociações entre bancos e
mutuários, de forma que as pessoas “possam continuar em suas casas” e
assegurou que um programa “claramente focado nos mutuários” será adotado
logo após a posse.
Também propôs que seja
concedida ajuda para salvar o quanto antes a General Motors e a indústria
automobilística, a espinha dorsal da manufatura norte-americana. Ele
acrescentou que a ajuda estaria condicionada a que “trabalhadores, gerência,
fornecedores, credores, acionistas” se unam num plano para criar uma
indústria automobilística sustentável. “Assim criaremos um crédito de
emergência que conduza a algum lugar e não um crédito de emergência para
lugar nenhum”.
Kroft perguntou,
então, de onde viria o dinheiro para “tudo isso”. Obama disse que há um
“consenso” no país sobre “fazer o que quer que seja preciso para levar a
economia a se mover de novo”. “Em curto prazo, não deveríamos nos preocupar
sobre o déficit do ano que vem, ou mesmo o do ano seguinte”, apontou. “A
coisa mais importante é evitar que a recessão se aprofunde”. Indagado pelo
entrevistador se sua proposta de busca de auto-suficiência energética se
manteria, agora que o barril de petróleo caiu de US$ 147 para US$ 60, Obama
ressaltou que sim. “Nosso padrão tem sido ir do choque para o transe. O
preço da gasolina sobe nos postos, todos entram em alvoroço. Os preços caem,
e de repente nós agimos como se não fosse importante, e começamos a encher o
tanque dos nossos SUVs de novo”. “Em conseqüência, nunca fazemos qualquer
progresso. É parte do vício. Isso tem de ser quebrado. A hora de quebrá-lo é
agora”.
ANTONIO PIMENTA |