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Associação dos Clérigos
Muçulmanos no Iraque
afirma que só haverá paz com retirada do invasor
O porta-voz da Associação dos Clérigos Muçulmanos no
Iraque (AMSI), Mohammed Al-Faidhi, em entrevista ao escritor e jornalista
libanês, Serene Assir, em Madrid, afirmou que “a ocupação norte-americana não
ficará” e que mesmo que Obama não cumpra sua promessa de retirar as tropas em 16
meses, “será forçado a se retirar mesmo, que não quisesse”.
A entrevista foi feita no dia 31 de outubro e publicada
traduzida para o inglês no domingo, 16.
Faidhi descreveu o papel da Associação religiosa no país e
disse que no começo a principal preocupação era repelir a aparência de que uma
guerra civil estava acontecendo no Iraque, “como, detalhamos depois, a ocupação
tinha o claro objetivo de fazer parecer”.
A organização, contrária à ocupação desde o seu início,
possui 180 membros presos nas cadeias da ocupação e do governo fantoche.
Questionado sobre como se desenvolveu a Resistência
iraquiana ao longo desses cinco anos de ocupação militar, o porta-voz da AMSI
disse que a primeira etapa foi a mais difícil, “pois a ocupação tentou esconder
qualquer tipo de resistência, chegando a perseguir jornalistas que a
anunciassem. Naquela fase, nós fomos os principais divulgadores da Resistência;
dizíamos que havia uma e apresentávamos provas de sua existência.”
Fahidi acrescentou que após não conseguir mais esconder os
avanços da Resistência patriótica, os norte-americanos passaram a dizer que
esses grupos não estavam resistindo em nome do povo iraquiano, mas que eram
grupos vindos de fora, descritos como terroristas.
“Isso nos deu uma nova responsabilidade, pois tivemos que
dizer ao mundo que isso era uma mentira, pois havia uma Resistência, considerada
legítima pelas religiões e pelos acordos das Nações Unidas. Rejeitamos qualquer
ato que vise civis”.
Ao ser perguntado por Assir sobre “como a paz chegará ao
Iraque”, Fahidi declarou: “Não haverá paz enquanto houver ocupação. A ocupação
não funciona com conversa e negociação. Um ocupante não invade amigavelmente,
mas sim com canhões e balas: essa é uma verdade universal”.
“Nós iraquianos somos capazes de trabalhar e resolver
nossos problemas um a um, juntos, sem um invasor criando problemas entre nós”,
finalizou o porta-voz da AMSI.
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