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Roberto
Requião
“Crise não pode
ser analisada sob a perspectiva do mercado”
Governador do
Paraná vai promover seminário internacional para discutir caminhos para crise
econômica. “Vamos analisar a crise sob a perspectiva das pessoas, da nação, e
não do mercado”
A
idéia é trazermos as melhores cabeças do mundo para uma discussão que indique um
caminho para sairmos da crise”, definiu o governador do Paraná, Roberto Requião,
no último dia 11, traçando o objetivo do seminário internacional que o Estado do
Paraná promoverá para discutir a crise norte-americana, que deverá ocorrer em
dezembro.
“Nossa
preocupação é analisar a crise sob a perspectiva das pessoas, da nação, e não
sob a perspectiva do mercado, porque os arautos do mercado resolveram agora ser
os médicos que vão apresentar a solução para aquilo que eles mesmos causaram,
com a sua incorreta condução da política econômica”. “Queremos uma sugestão
concreta e viável para uma mudança definitiva, já que o deus mercado provou-se
absolutamente ineficaz, criando uma crise de proporções enormes”, disparou
Requião.
O seminário
partiu de uma sugestão dos economistas Carlos Lessa, ex-presidente do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-reitor da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Darc Costa, ex-vice presidente
do BNDES. O Governo do Paraná, a Copel, a Sanepar e a ParanaPrevidência devem
patrocinar e organizar o evento.
Roberto
Requião criticou a forma como o Banco Central tem tratado a crise. “O BC está
jogando dinheiro no mercado sem que haja uma preocupação concreta com a mudança
no modelo econômico, com investimentos públicos”, disse o governador paranaense,
completando. “O que os arautos do neoliberalismo querem é simplesmente resolver
o problema do capital financeiro. No Brasil, vemos um privilégio muito claro aos
exportadores, às commodities, que foram internacionalizadas, às trades
internacionais”.
“A idéia do
seminário surgiu porque vemos hoje a crise sendo analisada pelos arautos do
neoliberalismo, pelas pessoas cuja maneira de entender a economia provocou a
crise. Mas eles querem aviar os remédios para o problema, querem uma solução
lampedusiana, gattopardiana, querem mudar tudo para que tudo fique exatamente
como está”, criticou Requião, citando o escritor siciliano Giuseppe Tomasi di
Lampedusa, autor do livro Il Gattopardo. |