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Em pleno
plantio, bancos arrestam plantadeiras, tratores e colheitadeiras dos
agricultores
Bancos negam
crédito e sufocam os agricultores no Mato Grosso
Sem crédito e com
“juros impagáveis”, 70% dos produtores não conseguiram saldar a parcela dos
empréstimos vencida dia 15/10
Cerca de 70%
dos agricultores do Mato Grosso não conseguiram pagar os 40% do valor das
parcelas dos empréstimos de investimentos em máquinas e equipamentos que
venceram no dia 15 de outubro deste ano. Segundo estimativa da Federação da
Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Fomato), o débito atinge R$ 1 bilhão.
A situação dos
agricultores é crítica e tem como pano de fundo os juros extorsivos a que são
submetidos, ficando totalmente reféns dos bancos, que além dos juros altos, não
estão liberando crédito. Ao contrário, em plena época de plantio da nova safra,
os bancos estrangeiros Case New Holland (CNH), De Lage Landen (DLL) e John Deere,
que dominam o mercado de máquinas para agricultura, estão seqüestrando
plantadeiras, tratores, pulverizadores e colheitadeiras no Mato Grosso,
comprometendo a safra agrícola 2008/2009.
As ações de
arresto, iniciadas em Rondonópolis foram estendidas aos municípios de Campo Novo
dos Parecis, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop e espalhou-se por todo o
Estado. Além disso, o nome dos agricultores é inserido no cadastro de
inadimplentes da Serasa.
“Se já foi
difícil plantar com as condições negativas de crédito e custo, o que dirá se
levarem nossas máquinas, como já estão fazendo. Alguém pode explicar como vamos
colher o que foi plantado a duras penas?”, questionou o presidente do Sindicato
Rural de Rondonópolis e diretor administrativo da Associação dos Produtores de
Soja de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Ricardo Tomczyk. Para o governador Blairo
Maggi, “o problema é que o fluxo de caixa, que antes era obtido com o crédito,
praticamente secou”, disse.
JUROS
Para o
advogado Fabio Mello Oliveira, que está ajuizando ações contra o arresto de
aproximadamente 150 equipamentos de 45 agricultores, “o Banco Central editou
algumas resoluções nos últimos anos, com o fito de prorrogar as dívidas, porém
com a incidência de juros impagáveis”, disse.
Na avaliação
de Ricardo Tomczyk, o seqüestro de máquinas e equipamentos põe em risco os
resultados das safras de 2008 e 2009: “Com os nomes dos produtores nos serviços
de proteção ao crédito, não há como tentar obter algum tipo de crédito”, disse
Tomczyk. “Com crise financeira, bancos aumentam risco de produtores rurais,
dificultando renegociação das dívidas e impedindo acesso ao crédito para
implantação da safra”, advertiu o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), presidente
da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Mas o problema
financeiro não se resume apenas aos agricultores de Mato Grosso. Informações do
setor dão conta que no Rio Grande do Sul o índice de inadimplência varia entre
25% e 30% e na região Centro-Oeste, em cerca de 50%. Em todo o Brasil, a média
das dívidas em atraso ultrapassa 30%.
Para buscar
apoio político contra a apreensão das máquinas pelos bancos e procurar
alternativas ao endividamento, os agricultores criaram em Rondonópolis o “Comitê
da Crise”. Os deputados federais Carlos Bezerra (PMDB) e Carlos Abicalil (PT)
participaram da primeira reunião, que aconteceu na terça-feira (19), em Cuiabá.
A Famato
informou que até o dia 18 os produtores não haviam obtido resposta do Banco CNH
quanto à suspensão dos mandos de busca e apreensão dos maquinários, solicitada
pelo setor aos bancos ligados às montadoras durante reunião realizada
anteriormente no Rio de Janeiro, com participação de representantes do BNDES. O
banco estatal financia a aquisição de máquinas agrícolas através de instituições
financeiras credenciadas.
Apesar de
reconhecer que “em Mato Grosso está em níveis preocupantes”, o
secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson
Bittencourt, afirmou que a situação “está dentro de controle”. Em seguida, fez
coro com os bancos, defendendo contra a ampliação do prazo de vencimento da
parcela de financiamento vencida este ano: “Venceu, está vencido. Não vamos
beneficiar a inadimplência”, declarou.
O fato é que
enquanto o Banco Central continuar com sua política de juros alucinados –
atualmente em 7,9% reais ao ano -, o único beneficiário será o sistema
financeiro, em detrimento da atividade produtiva, seja agrícola, seja
industrial. Enquanto não reduzir os juros, o BC pode baixar tantas medidas
quanto queira que os bancos, excetuando os estatais, vão continuar sugando as
riquezas produzidas pela maioria dos brasileiros. E, o que é pior, deixará o
país totalmente vulnerável à crise, originária o sistema financeiro
norte-americano, que se alastra pelo mundo.
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