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Multidão em Manágua escorraça arruaceiros
a serviço dos EUA
Dezenas de milhares de nicaragüenses simpatizantes do
governo sandinista de Daniel Ortega se mobilizaram na terça-feira, dia 18,
desde todas as regiões do país para a capital, Manágua, em defesa da vitória
já confirmada de seus candidatos, e para exigir a proclamação dos resultados
de maneira oficial. Desde cedo se concentraram frente ao Conselho Supremo
Eleitoral (CSE).
Nas eleições realizadas em 9 de novembro passado, a Frente
Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) elegeu seus candidatos em 106 das
146 prefeituras em disputa, incluídas a capital nacional, e outras 12
capitais provinciais, enquanto a oposição só conseguiu vencer em 40
prefeituras, entre elas três capitais regionais, segundo dados oficiais.
Membros do Partido Liberal Constitu-cionalista (PLC), sigla
que congrega os latifundiários e os grupos coordenados pela embaixada dos
Estados Unidos, tinham se reunido num hotel no centro de Manágua, ameaçando
realizar distúrbios, impedir o trânsito na região, e cavar espaço na mídia
norte-americana, maciçamente presente no país. Mas, centenas de sandinistas
que se manifestavam nas proximidades chegaram até o local, o que foi
suficiente para que só ficassem de plantão, com grande resguardo policial.
Grupos de arruaceiros tinham causado, nos dias anteriores,
sérios problemas no funcionamento do comércio, quebrando vitrines e
agredindo pedestres, tudo com o objetivo de forçar o CSE a revisar os
resultados que dão a vitória à FSLN.
Os Estados Unidos, que financiaram e organizaram a
contra-revolução durante o primeiro governo de Ortega na década dos 80,
voltaram à carga. O embaixador ianque em Manágua, Robert J. Callahan, depois
de realizar reuniões públicas para alavancar a oposição e não obter o
resultado almejado, declarou que havia razões para pensar que as eleições
não foram limpas, e que poderia revisar ou suspender a cooperação com o
país.
Vários observadores internacionais –como magistrados e
especialistas eleitorais da América Latina – afirmaram que não registraram
nenhuma anomalia no dia das eleições. O chefe da Missão de Conselhos de
Especialistas Eleitorais da América Latina (CEELA), o uruguaio Wilfredo
Penco, manifestou que “não houve fraude eleitoral na Nicarágua”, segundo os
elementos analisados antes e depois da votação. |