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Comissão de Auditoria no Equador conclui:
“Divida externa é fruto de assalto de milhões”
O governo do presidente Rafael Correa criou uma Comissão
Especial de Auditoria da Dívida Externa (CEA), que concluiu, na
segunda-feira, dia 17, que o endivida-mento a que o Equador foi submetido
pelos governos neolibe-rais foi “um assalto de milhões”.
Hugo Arias, coordenador da comissão, informou que “mais de
80 por cento da dívida corresponde a refinan-ciamentos e apenas 20 por cento
a projetos de desenvolvimento”.
A auditoria, cujos resultados serão publicados na próxima
semana, pode provocar a decisão do governo de suspender os pagamentos da
dívida e iniciar os julgamentos pertinentes.
“Isso é um atropelo à soberania e à dignidade. Finalmente o
país sabe que o endivida-mento externo foi um assalto de milhões”, assinalou
Arias.
Ao se referir as irregularidades que a CEA encontrou nas
dívidas contraídas durante os últimos 30 anos, Arias mencionou que o
processo “nunca correspondeu aos interesses do país, mas dos credores”.
Assinalou que atualmente a dívida pública é de 10,3 bilhões
de dólares, sendo que se pagou mais de 3 vezes o valor que foi concedido.
O presidente Rafael Correa reiterou que, a partir do
informe, se analisarão “quais são os melhores caminhos: impetrar um processo
em nível internacional, sancionar os que prejudicaram o país, equatorianos e
estrangeiros, e declarar a nulidade da dívida”.
“Nós não estamos brincando. Se há bases suficientes para
dizer: ‘Não podemos pagar esta dívida por ilegítima’, assim o faremos, que
caiam os bônus, que suba o risco país. Isso não nos preocupa”, sublinhou.
Correa afirmou que não lhe interessa a “economia
especu-lativa financeira” e que seu governo tem como objetivo “um modelo de
desenvolvimento produtivo, justo, em que o país construa uma economia real”.
No sábado passado foi suspendido o pagamento de 30,6
milhões de dólares por juros dos bônus Global 2012 e se anunciou que se
estudará até o próximo 15 de dezembro os passos que o governo dará. |