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Éder, o canhão
ÉLCIO PAIOLA
Quando o ex-ponteiro-esquerdo Éder Aleixo Assis
observa fãs com descontrolável assédio ao meia
Kaká, do São Paulo, de certo comenta com amigos
que “esse filme” não só assistiu como foi
protagonista. Nos tempos de boleiro, Éder era
boa pinta, vestia-se elegantemente e às vezes
tinha que se desvencilhar dos agarrões da
mulherada.
Éder tem pouco mais de 1,80m de altura e no
auge da forma, na década de 80, dirigia carros
importados e tinha hábito de não acompanhar
ônibus de delegações de clubes pós-jogo.
Naquelas ocasiões, alguns amigos estavam sempre
a esperá-lo em portas de estádios, conduzindo o
carro chic.
No campo, Éder era unanimidade. Arrancava
aplausos por causa do chute forte, com efeito, e
geralmente mortífero. Narradores de futebol não
se cansavam de gritar gols que ele marcava do
“meio da rua”, uma metáfora criada há décadas
para caracterizar o chute de longa distância ao
gol adversário, e que ainda resiste.
Éder atravessou o melhor período da carreira em
1982, levado pelo técnico Telê Santana aquele
memorável selecionado brasileiro que tinha
“cara” de campeão, na Copa do Mundo da Espanha,
mas foi atropelado pelos gols do atacante Paolo
Rossi e sua Itália.
Naquele Mundial, Éder marcou um golaço na
vitória por 2 a 1 sobre a extinta União
Soviética e na goleada por 4 a 1 diante da
Escócia. Ele fez parte daquela “patota” que
tinha Waldir Peres; Leandro, Oscar, Luizinho e
Júnior; Falcão, Sócrates, Zico e Toninho Cerezo;
Serginho e Éder.
É um equívoco citar Éder como um ponta veloz.
Também exagera quem o rotula de ex-jogador fora
de série. A principal virtude era bater na bola,
mas também sabia dominá-la. Conseguia escapar de
marcadores e arrancava aplausos como lançador.
Assim, com bola estilada de 40 metros, colocava
companheiros na “cara” do gol.
Éder não era ponteiro de fazer jogadas de fundo
de campo e nem precisava. Quando chegava ao lado
da grande área, pelo lado esquerdo, o passe era
invariavelmente com precisão. Foi assim no
Grêmio (RS), Atlético (MG), Palmeiras e Inter
(SP), porque as passagens por Santos, Sport
Recife, Botafogo (RJ), Cerro Porteño (Paraguai),
Fenerbach (Turquia), União de Araras (SP), Monte
Claro (MG), Atlético (PR) e Cruzeiro foram
discretas.
Éder está radicado em Belo Horizonte e se
transformou num empresário de posto de
combustível. Sonha romper o seleto grupo de
treinadores e espera transmitir à boleirada o
muito que aprendeu ao longo da carreira. Como
bom discípulo, absorve os segredos para se
transformar num respeitável comandante de grupo.
E sabe que para ser bem sucedido na carreira de
treinador não basta só conhecer o “riscado”.
Mais importante é saber como executá-lo. |