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O petróleo viabilizará
a qualidade da Educação
Maria
Izabel Azevedo Noronha
A
descoberta de reservas de petróleo na região pré-sal da plataforma marítima
brasileira representa uma nova era econômica ao nosso país. Trata-se de
formidável conquista, graças ao empenho de nossos técnicos, às políticas
energéticas e ao desenvolvimento de uma tecnologia de exploração em águas
profundas, única no mundo.
Entretanto, para que o novo salto que se projeta para a economia nos
próximos anos resulte em melhoria na qualidade de vida do nosso povo é
necessário que os vultosos recursos que advirão da exploração desta riqueza
sejam revertidos para as áreas sociais, prioritariamente para a educação.
Experiências demonstram que países superaram seu atraso econômico, social,
cultural e tecnológico ao investir pesadamente em educação. No Brasil,
sempre enfrentamos a invariável alegação de não haver recursos para suprir
as necessidades educacionais. Pois bem, agora teremos.
Setores acostumados a serem beneficiados com a exploração de nossas riquezas
movimentam-se para usufruir também destes novos dividendos. Ao mesmo tempo,
criticam o volume de investimentos, em torno de R$ 2 trilhões até 2017,
necessários para a exploração. Esquecem, providencialmente, que as reservas
descobertas, segundo especialistas, têm potencial comercial estimado de até
R$ 100 trilhões.
O povo
brasileiro merece que se façam investimentos desta ordem. O fundamental é
que os royalties e as receitas resultantes sejam revertidos para o
setor que fará com que o Brasil dê o salto definitivo para o futuro: a
educação.
Investir na educação básica significa investir na formação dos futuros
cientistas brasileiros que poderão levar o país a novas conquistas
tecnológicas para a exploração mais racional e sustentável de nossas
riquezas naturais. O desenvolvimento econômico, desta forma, propicia uma
cadeia que resulta em mais desenvolvimento social, cultural e tecnológico.
O
Brasil precisa, urgentemente, garantir condições necessárias para assegurar
a universalização da educação básica; assegurar condições estruturais
adequadas nas escolas; instituir educação em tempo integral; criar condições
para eliminar o analfabetismo; qualificar a juventude para um mercado de
trabalho competitivo e tecnológico.
Para
assegurar qualidade do ensino precisamos garantir planos de carreira nos
estados e municípios; meios para que os docentes dediquem-se a uma unidade,
sem desdobrar-se em várias escolas; programas de formação e atualização
profissional em serviço; finalmente, entre tantas necessidades, precisamos
assegurar salário adequado aos profissionais da educação.
Os
mesmos setores que criticam os planos para a exploração das reservas do
pré-sal, e que, ao mesmo tempo, querem impedir o uso dos recursos na
educação e nas demais áreas sociais também se mobilizam para tentar
inviabilizar o Piso Salarial Profissional Nacional, conquista histórica dos
professores. Cabe a nós, comprometidos com uma educação pública de
qualidade, não permitir que vençam.
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Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da APEOESP (Sindicato dos
Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e membro do Conselho
Nacional de Educação (CNE). |