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Temor republicano
de derrota eleitoral susta doação bilionária a Wall Street
Para John Sweeney,
presidente da AFL-CIO, principal central de trabalhadores dos EUA, “a situação
econômica tem que ser resolvida, mas não com um socorro a um punhado de
banqueiros privilegiados às custas de toda a população”
Protesto
contra o pacote de Bush - doando US$ 700 bilhões aos especuladores em troca de
papéis podres - reuniu milhares de trabalhadores da construção civil, educação,
ferroviários, metalúrgicos e outras categorias em manifestação em Wall Street,
nas escadarias da entrada da Bolsa de Nova Iorque, no dia 25 de setembro. Os
trabalhadores atenderam à convocação da AFL-CIO, principal central de
trabalhadores norte-americanos, além de outras centrais e federações.
“O governo Bush
quer que paguemos o frete de um socorro (bailout) a Wall Street sem sequer
começar a tocar nas raízes da crise”, afirmou o presidente da AFL-CIO, John
Sweeney.
“Queremos que
nossos impostos sejam usados para dar apoio aos milhões de trabalhadores e não a
um punhado de banqueiros e executivos privilegiados”, acrescentou.
“Nada de cheques
em branco para Wall Street”, “Não vão arrancar nossas aposentadorias” e “Não ao
socorro! Cadeia para eles!”, afirmavam os cartazes dos manifestantes.
“Sabemos que a
situação econômica tem que ser resolvida, mas nós apoiamos um resgate
responsável e não um socorro oportunista. O que quer dizer que Wall Street tem
que prestar contas”, afirmou Randi Weingarten, presidente da Federação Unida dos
Professores.
O líder da luta contra
o racismo e pelos direitos civis, Jesse Jackson, que compareceu à manifestação,
declarou: “os mutuários precisam de financiamentos de longo prazo, juros baixos
e reestruturação da dívida, sem isso o socorro é uma liquidação de papéis, uma
tirania”.
Pesquisa divulgada
pelo jornal Los Angeles Times dizia, pouco antes do pacote de Bush ser derrotado
por 228 a 205 na Câmara dos Deputados, que 55% dos norte-americanos se opunham
ao uso do dinheiro do contribuinte para dar uma mão aos bancos que afundaram na
especulação. Uma firme rejeição, se considerado o medo exacerbado pelas
previsões econômicas catastróficas de Bush, do presidente do Fed, Bernanke, e do
secretário do Tesouro, Henry Paulson, caso o seu pacote não fosse aprovado.
A rejeição à condução
da economia pelo atual governo norte-americano foi mais longe: segundo o
Washington Post chega a 91%.
O deputado democrata,
Dennis Kucinich, defendeu a rejeição do ‘plano’ de Bush em pronunciamento
contundente na Câmara. “Estamos no Congresso dos EUA ou no Conselho Diretor do
Goldman Sachs?”, questionou, referindo-se ao fato do secretário do Fed, a quem o
governo pretendia entregar plenos poderes para distribuir os US$ 700 bilhões,
haver sido durante anos presidente do banco que estava entre os comandantes do
cassino
“Por que não foi
considerada nenhuma alternativa a não ser a doação de US$ 700 bilhões a Wall
Street? Por que não estamos aprovando leis parando com a especulação que gerou
tudo isso?”, questionou ainda Kucinich, que acrescentou: “Como serão avaliados
esses papéis podres que agora chegariam a US$ 700 bilhões?”
“Por que não se
ajuda os mutuários diretamente a suportar o peso de suas dívidas? Por que não
ajudar às famílias assoladas pela quebradeira? Por que não reduzir o débito dos
trabalhadores, no lugar de Wall Street?”, prosseguiu o deputado.
“Não chegou a
hora de mudanças fundamentais em nosso sistema monetário para que possamos nos
libertar dos bancos e do Fed?”, finalizou Kucinich.
À véspera da votação
do pacote, o Citibank açambarcou o Wachovia (um dos maiores bancos de
investimentos dos EUA) enquanto que o J.P. Morgan tomou – em operação subsidiada
pelo governo - o Washington Mutual. A concentração bancária se acelera em meio à
crise: os três maiores bancos, o Bank of America, o J.P. Morgan Chase e o
Citigroup saltaram de 21,4% do total de depósitos dos norte-americanos para
31.3% e seguem fazendo crescer a sua fatia.
A rejeição da
população ao governo Bush e ao seu pacote pró-especulação – em meio às notícias
de fusões bancadas com bilhões de dólares pelo governo - fez com que a maioria
dos deputados de seu partido, o Republicano, em risco de uma fragorosa derrota
em seus Estados por conta dos desastres do governo Bush – votassem contra o
projeto (133 a 65). Entre os democratas 140 votaram a favor e 95 contra.
Deputados de Estados com previsões eleitorais indefinidas e representantes de
comunidades majoritariamente de negros e hispânicos se opuseram à dinheirama
para os bancos. |