|
Careca, o craque
ARIOVALDO IZAC *
Em
uma de suas centenas de entrevistas, o
ex-atacante Careca sugeriu que os clubes de
futebol contratassem preparadores de
artilheiros, como se tem para goleiros. De certo
Careca também fica indignado ao observar
atacantes perderem gols feitos, contrastando com
o seu tempo de jogador. Ele matava a bola no
peito com elegância, já ajeitando-a para
disparar antes da queda ao chão. Foi assim que
fez dezenas de gols.
A
sugestão para que um profissional ensine os
atalhos do gol adversário não é nova. O Flamengo
chegou a adotá-la e o “professor” foi o
“matador” Nunes.
A
mídia gaúcha compara o estilo de Alexandre Pato
ao de Careca: conjunto de habilidade, velocidade
e frieza nas finalizações. E Careca não
discordou quando entrevistado pelo jornal Zero
Hora, de Porto Alegre, no início deste ano. O
diferencial é que décadas passadas, quando
Careca surgiu no futebol, clubes europeus só
importavam jogadores consagrados no País, com
passagens pela Seleção Brasileira. Hoje, bastam
algumas atuações destacadas para que o atleta
ganhe um contrato milionário no exterior.
E
ponha milionário nisso, comparou o próprio
Careca, ao mesmo veículo de comunicação. “O
jogador médio ganha em um mês o que o craque não
recebia em um ano”.
Por que Careca? Porque era fã do palhaço
carequinha quando recolhia bolinhas de tênis
arremessadas fora das quadras, em clubes de
Araraquara, sua cidade natal. Mas enveredou para
o futebol, e aos 17 anos foi campeão brasileiro
pelo Guarani de Campinas (SP), em 1978, na
decisão contra o Palmeiras.
Ainda no Guarani, em 1981, ganhou a primeira
oportunidade de servir a Seleção Brasileira. E,
às véspera da Copa do Mundo de 1982, na Espanha,
foi cortado após sofrer lesão muscular.
Nova chance de disputar uma Copa do Mundo surgiu
em 1986, quando já estava no São Paulo. O Brasil
foi eliminado pela França e restou ao
araraquarense brilhar no tricolor paulista, onde
chegou em janeiro de 1983, com a
responsabilidade de substituir Serginho Chulapa.
Assim, foi bicampeão paulista - 1985/86 - e
campeão brasileiro em 1986, curiosamente contra
o Guarani, em Campinas.
O
São Paulo perdia por 3 a 2, na prorrogação,
quando Careca acertou um chute indefensável aos
120 minutos de partida, transferindo a definição
através de cobranças de pênaltis. Careca
desperdiçou a sua cobrança, mas o Bugre errou
mais. Assim, o São Paulo festejou o título.
Naquela competição, ele marcou 25 gols.
Naquela época, o São Paulo tinha um timaço. Lá
estavam Pita, Careca, Muller e Sidnei
“Trancinha”. O técnico Cilinho montou a base e
Pepe deu seqüência.
Careca fez sucesso no Nápoli, ao lado de
Maradona. Ambos transformaram uma equipe modesta
em respeitadíssima no futebol italiano, com dois
títulos no campeonato nacional e uma Copa da
Itália, no período de 1987 a 1993. Também jogou
no Kashiwa Reysol, do Japão, até 1996. Depois,
de volta ao futebol brasileiro, atuou no Santos
e encerrou a carreira no São José, em 1999.
Por essas e outras teve motivos de sobra para
comemorar o 48º aniversário no dia 5 de outubro.
Não bastasse a bonita carreira como jogador,
teve a ousadia de criar, em 1998, o terceiro
clube profissional de Campinas, integrante da
Série B-1 do Campeonato Paulista (quarta
divisão), caprichosamente chamado de Campinas
Futebol Clube.
*
Jornalista em Campinas e colaborador do HP |