Ruth Guimarães toma posse na Academia Paulista de Letras

No dia 18 de setembro, a escritora Ruth Guimarães Botelho será empossada na cadeira 22 da Academia Paulista de Letras. Sua eleição, no dia 5 de junho, recebeu 30 dos 36 votos válidos.

Poetisa, romancista, contista, cronista, teatróloga, tradutora, jornalista e, mais do que tudo, uma guerreira das nossas letras, Ruth Guimarães foi a primeira escritora brasileira negra que conseguiu projetar-se nacionalmente desde o lançamento do seu primeiro livro, em 1946, o romance Água Funda, aplaudido na época por nomes como Antonio Candido, Nelson Werneck Sodré e Fernando Góes.

Seus escritos refletem a vida e a alma popular numa união perfeita entre a linguagem simples e a qualidade literária. Como ela mesmo afirma, “eu aprendi português em primeiro lugar, que é uma coisa que eu recomendo aos neo-escritores: que façam o favor de aprender português em primeiro lugar para depois escrever sua água funda. Estou sempre brigando por isso. Eu sou professora, sou pela competência”.

E, no alto de seus 88 anos, dá a lição: “Se alguém vai escrever um livro, que leia os bons autores, que estude os bons autores, que assista aos bons filmes, que converse com gente que sabe falar, que viva a sua vida bastante bem. Viva a vida completamente, porque emocionalmente a pessoa também tem que estar apta”.

Para a escritora ,“o Brasil está precisando de uma literatura negra”. E, citando Machado de Assis, que para ela “é o grande”, e “alguns outros”, ela pergunta: “O que temos?”, “onde?”. E pondera, “a maioria escreveu para uma sociedade eclética. Mas o que acontece é que é necessário fazer o registro do negro. Precisamos saber da raiz negra, de onde viemos. A história negra, a literatura negra, a poesia negra, estão por fazer”. E afirma, “eu, depois de velha, resolvi pesquisar, e para isso estou contando e escrevendo histórias, tentando fazer um fabulário brasileiro. Não só com pesquisa entre os negros, mas entre o povo, todo o nosso povo. E vou separando, isso daqui é dos pretos, isso de lá é de todo mundo”.

Segundo Ruth Guimarães, “muita gente já fez esses estudos e descobriu coisas muito bonitas, muito gratificantes, que são as qualidades do povo brasileiro”. E ela cita: “o povo alegre, que agüenta os trancos, que faz de nós um povo único no mundo. Nós devemos isso aos negros”, diz.

Natural de Cachoeira Paulista (SP), Ruth Guimarães conviveu ao longo de sua vida com nomes como Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Telles e Mário de Andrade, que lhe despertou o gosto pelo folclore brasileiro. Entre suas dezenas de publicações, destacam-se, além de Água Funda, Calidoscópio - A saga de Pedro Malazarte, Lendas e Fábulas do Brasil, Contos de Cidadezinha e o ensaio Os filhos do Medo. Traduziu Balzac, Dostoievski, Daudet e Apuleio, além de ser autora de um importante dicionário da Mitologia Grega.

Como escreveu seu filho, o jornalista Joaquim Maria Botelho, “os escritores de São Paulo elevaram, ao seu cenáculo, a figura serena de Ruth Guimarães. E ela promete continuar escrevendo sobre o seu povo, à sombra da velha mangueira, nas teclas da velha máquina Olympia, como os mestres mandaram”.

A sessão de posse na APL acontece no dia 18 de setembro às 19 horas. Colégio Dante Alighieri - Alameda Jaú, 1.061.


Primeira Página

 

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EXPEDIENTE

 

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Página 4

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Página 5

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Cartas

 

Página 6

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Página 7

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Página 8

Luiz Carlos Barreto:A Embrafilme seria hoje a Petrobrás do audiovisual”

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