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Avião clandestino da CIA cai com
3,7 toneladas de cocaína
O avião a jato com matrícula
N987SA caído e apreendido em setembro do ano passado em Yucatán, no México, com
3,7 toneladas de cocaína, era utilizado pela CIA para levar supostos terroristas
ao campo de concentração que o governo Bush mantém em Guantánamo e a outros
cárceres secretos, concluiu a investigação realizada pelo Parlamento Europeu,
divulgada na semana passada pelo jornal mexicano El Universal.
“O jet de luxo só realizava vôos
clandestinos. Para a Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos e
para o narcotraficante Joaquín El Chapo Guzmán, para levar drogas aos EUA.
Documentos do Parlamento Europeu, cujas cópias foram acessadas pelo El
Universal, referem que esse avião voou em várias ocasiões para Guantánamo, Cuba,
para levar suspeitos de terrorismo”, informou o jornal.
O jet Grumman Gulfstream II
aparece nos registros de vôo da Organização Européia de Segurança da
Aeronavegação como parte da investigação do Parlamento Europeu sobre “a
utilização de países pela CIA no transporte e detenção ilegal de presos”, que
derivou em informes em 2005, 2006 e 2007. A CIA mantém prisões secretas já
reconhecidas na Polônia, Romênia, República Tcheca, Bulgária e denúncias em
vários outros países europeus.
Atualmente tanto a Procuradoria
Geral da República como a agência antidrogas norte-americana (DEA) dizem que
investigam de que forma o jet ingressou ao México carregado de cocaína.
Documentos do Pentágono, segundo
El Universal, registram como um dos últimos donos da aeronave, a empresa Donna
Blue Aircraft, cujo endereço situa-se na Florida, pesquisado pelos jornalistas,
resultou ser um escritório vazio.
Fotografias do jet N987SA o
situavam em instalações da companhia Boeing, em Seattle, 20 dias antes de sua
queda em Yucatán. Nessa data a propriedade estava vinculada à empresa S/A
Holdings, da qual também não há dados.
“A CIA usa empresas fantasmas
cujos nomes só aparecem nos registros da Administração Federal Aeronáutica (FAA,
na sigla em inglês). Porém, se a gente mexe um pouco fica claro que as
companhias só têm caixas postais ou endereços de escritórios de advogados”,
afirmou o jornal New York Times em matéria sobre os vôos secretos da agência de
espionagem. A grande mídia americana já não pode esconder as denúncias sobre as
prisões clandestinas, nem sobre os vínculos da CIA com outras operações
ilícitas.
Meses depois da queda do jet na
península de Yucatán, a FAA encontrou um recibo de venda fechado dois dias antes
de que o avião saísse dos EUA. Segundo o documento, a empresa da Florida tinha
vendido o avião a um piloto desse mesmo estado, Clyde O’Connor. Não há registros
de que a Justiça mexicana ou a norte-americana o tenham chamado a declarar,
disse o jornal mexicano. O único processado no caso é o piloto do avião, um
mexicano identificado como Edick Muñoz Sánchez, que foi capturado dias depois,
sem nenhuma informação sobre os verdadeiros donos do avião e das drogas.
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