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Ata do Copom forja
desequilíbrio entre consumo e investimentos
BC não tinha
pretexto para aumentar os juros. Os investimentos cresceram mais do que o dobro
do consumo e a inflação está sob controle
Para justificar a elevação da Selic para 13,75% ao ano, o Banco Central diz na
ata do Copom que a inflação ainda não apresenta “melhora suficientemente
convincente”. Isso, quando todos os indicadores de preço estão em trajetória
descendente.
Não podendo ocultar esse fato, os números são apresentados de forma a sustentar
a tese da continuidade dos riscos inflacionários. No dizer do jornalista Luís
Nassif (v. artigo nesta página), o BC utiliza “um manual tácito de manipulação
das estatísticas”, selecionando os períodos (mês, ano etc.) de comparação que
melhor convenha para “demonstrar” os “riscos”.
A realidade, no entanto, comprovou que a elevação dos preços que se verificou no
país, por um breve período, foi resultante de especulação externa. E inverteu
sua trajetória ao mesmo tempo em que ocorreu uma queda dos preços de commodities
no mercado internacional. Assim, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
medido pelo IBGE, diminui de 0,74% em junho para 0,53% em julho e 0,28% mês
seguinte. A queda da inflação também foi registrada por outros indicadores, o
que demonstra, em primeiro lugar, que o que havia era uma inflação importada de
Chicago. Em segundo, que a redução dos índices de inflação não de se deu em
função do aumento de 2,5 pontos percentuais, desde abril, da taxa Selic pelo
Meirelles.
Na ata do Copom, Meirelles deixa explícito, na sua ótica, quem “responde pela
aceleração inflacionária” que diz ocorrer desde o final de 2007: “... o Copom
avalia que o ritmo de expansão da demanda doméstica, que deve continuar sendo
sustentado, entre outros fatores, pelo crescimento da renda e do crédito,
continua colocando riscos importantes para a dinâmica inflacionária. Nesse
contexto, a redução pronta e consistente do descompasso entre o crescimento da
oferta de bens e serviços e o da demanda continua sendo central na avaliação das
diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária”. Ou seja,
o problema é que o povo está consumido muito e a indústria não está sendo capaz
de produzir o necessário. Contudo, desmentindo o BC, os investimentos produtivos
cresceram mais que o dobro do consumo das famílias, segundo o resultado do PIB
no segundo trimestre, ante o mesmo período do ano passado: 16,2% e 6,7%,
respectivamente.
A expansão de 6,1% do PIB, no referido período, ocorreu em função da ampliação
dos investimentos. Em uma situação, inclusive, de turbulência internacional, a
melhor maneira do país se proteger de possíveis efeitos da crise, que atingiu em
cheio o sistema financeiro norte-americano, é continuar fortalecendo o mercado
interno, isto é, aumentando os investimentos produtivos. Algo totalmente
incompatível com a política de juros altos do BC, que incentiva a especulação.
Certos “analistas” alardeiam que o aumento da cotação do dólar, que vem
ocorrendo após a derrocada do Lheman Brothers, Merrill Lynch e da AIG, vai
provocar uma queda nas importações e um conseqüente aumento da inflação. O que a
situação deixa claro é que é necessário e desejável que se adote uma política de
substituição de importações, o que irá fortalecer a indústria nacional e o
mercado interno. Portanto, continuar sustentando a geração de empregos e a
ampliação da renda. Até porque, o desequilíbrio do câmbio, provocado pelos juros
estratosféricos, tem proporcionado a invasão de quinquilharias que nada soma
para o fortalecimento da economia nacional.
Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “o
investimento é um gasto hoje que ampliará a produção potencial da economia em um
intervalo de tempo de seis a doze meses em média. A adequada e relativamente
estável proporção com que vem crescendo o consumo e a inversão no Brasil
constitui a melhor política que existe contra a inflação”.
Mas, com o Merrill Lynch indo para o vinagre, uma pergunta: como fica o
“investment grade” perseguido por Meirelles com seus juros estratosféricos?
VALDO ALBUQUERQUE
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