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Serra desmente Alckmin e exalta virtudes de Kassab
Já Alckmin
afirmou que Kassab é golpista. Na opinião de outro tucano, Alckmin é oportunista
O governador de São Paulo, José Serra, em nota
oficial, desmentiu as declarações do candidato do seu partido, Geraldo Alckmin,
de que o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM, somente foi seu
vice nas eleições municipais passadas porque deu “um golpe na véspera da
convenção”.
“A afirmação não é correta”, diz a nota de
Serra. “Não houve golpe na indicação do nome, que foi feita pelo PFL, até porque
quem me conhece sabe que pressão comigo não funciona. Por outro lado, como já
afirmei em outras ocasiões, o Gilberto Kassab foi um vice leal e solidário. E, à
frente da prefeitura, seguiu à risca nosso programa de governo”.
Alckmin havia dito o seguinte: “O Serra queria
como candidato o Lars Grael [na época, no PFL, hoje DEM]. Depois se acertou, e
já estava escolhido praticamente o Alexandre de Moraes [também do DEM]. Houve um
golpe na véspera da convenção, o Serra quase desistiu de ser candidato. Não é a
forma adequada de fazer as coisas”.
Realmente, Alckmin esqueceu de dizer que foi
ele, então governador do Estado, quem impôs Kassab a Serra (como este diz, “quem
me conhece sabe que pressão comigo não funciona”). Ou seja, Alckmin sabe que
houve o golpe em cima de Serra porque o autor foi ele.
Já Serra, esqueceu-se de dizer que a escolha de
Kassab pelo então PFL foi uma rasteira que levou durante uma viagem a Brasília.
Na época, rejeitou a escolha do partido-irmão e declarou que “não é pelos
jornais que vou conhecer meu vice”. E pediu a Alckmin que revertesse a decisão
do PFL, mas o então governador respondeu que não interferia em outro partido – e
ainda acusou Serra de detonar a aliança do PSDB com o PFL. Serra ameaçou
desistir, mas, como ninguém se impressionou, acabou engolindo o predileto de
Alckmin, Gilberto Kassab, como seu vice. Depois, aliciou este para dar um golpe
na candidatura de Alckmin a prefeito.
Portanto, Alckmin está mentindo: o golpe de
Kassab houve, mas foi Alckmin quem o viabilizou - se é que não o articulou. E
Serra também está mentindo: houve o golpe e ele se submeteu. Depois, quis dar um
golpe em Alckmin. Mais uma prova de que o forte dos tucanos é a lealdade e o
espírito de partido...
“Quando Serra foi candidato a prefeito, Kassab
apoiou Pitta. Com Covas candidato a governador, Kassab apoiou Maluf”, disse
Alckmin há poucos dias.
“Hoje o Pitta é aliado do ex-governador Geraldo
Alckmin”, disse Kassab, que foi secretário de Maluf e de Pitta. No programa
eleitoral de segunda-feira, Kassab, através de um locutor, disse que achava
“feio” o que Alckmin estava fazendo.
“Nunca houve guerra. Meu relacionamento com
Kassab é sempre bom, faço política com civilidade”, avaliou Alckmin na
segunda-feira.
Exercendo a sua impressionante civilidade,
Alckmin vem dando demonstrações modelares dessa coexistência pacífica. Declarou,
por exemplo, que o partido de Kassab “deu um golpe junto com o PT para eleger o
sr. Rodrigo Garcia, que hoje está na prefeitura também, presidente da Assembléia
Legislativa”. Rodrigo Garcia, dizem, é um amigo íntimo de Kassab. Cansado de ver
seu candidato levando abaixo da cintura, outro Rodrigo, o filho do César Maia e
presidente nacional do DEM, disse que “o eleitor não espera uma atitude tão
agressiva de um homem de Deus, que dizem ser ligado à Opus Dei”.
A Opus Dei sempre foi conhecida por sua índole
pacífica – sobretudo quando apoiou Hitler e Franco. Talvez porque a fé no
cordeiro de Deus esteja na natureza da Opus Dei, Alckmin omitiu que, no episódio
da Assembléia Legislativa, ele próprio estava tentando dar um golpe para
emplacar o seu candidato, Edson Aparecido, contra a maioria da Casa. O PFL de
Kassab foi mais rápido e mais efetivo, com o Rodrigo de ponta de lança. Quanto
ao PT, que é oposição, apenas cumpriu o seu papel em não votar no candidato de
Alckmin. Ou Alckmin acha que os deputados estaduais do PT estavam obrigados a
apoiar o candidato do PSDB, porque era o seu? Parece até coisa da Opus Dei...
Segundo o programa eleitoral de Kassab, os
partidos não importam. O que importa é a disposição “de suar a camisa com
Kassab”.
Como está suando a camisa com Kassab, seu
secretário de governo, Clóvis Carvalho, dirigente nacional do PSDB atualmente e
ex-ministro e membro do círculo íntimo do principal apoiador de Alckmin,
Fernando Henrique, disse que esse negócio de ser fiel ao partido e apoiar seu
candidato “é obscurantismo. Coisa da ditadura”. O secretário Carvalho acha que
Alckmin é mentiroso, porque disse que “o Serra foi muito bem, mas que o Kassab
se afastou do caminho. Isso é enganar o povo. Quem pode testemunhar a mentira
dessa conversa somos nós [os tucanos] que estamos lá”.
Além disso, Carvalho declarou que o candidato de
seu partido “ficou apenas com a ambição pessoal. É ele quem tem de ser cobrado
pelo oportunismo e pela perda de compostura. Não tem moral para se colocar como
juiz supremo. O Geraldo defendeu o Kassab. E agora deturpa os fatos. Quando o
Geraldo diz “vou criar 150 mil vagas [em creches]”, faz-me rir. Ou ele quer
enganar ou está enganado. Em 2006, o Geraldo perdeu a eleição para presidente
porque renegou a administração do Fernando Henrique”.
E terminamos por aqui, leitor, porque já não
sabemos quem deixou o sabonete cair no chão e quem está à espreita de quem está
procurando o sabonete. Provavelmente, todos no DEM-PSDB, com uma ou outra
exceção, estão fazendo as duas coisas. Mas é melhor acabar logo, antes que a
matéria fique inconveniente.
C.L.
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