|
Aumentam queixas contra os serviços de saúde em São Paulo
Contrariando o que vem sendo apresentado na
propaganda eleitoral do atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição,
Gilberto Kassab, a maioria dos paulistanos aponta a saúde como a área pública
que registra os principais problemas da capital. Os dados são provenientes da
pesquisa Ibope, divulgada na última segunda-feira (22), que mostra que 23% dos
paulistanos estão descontentes com o serviço.
Ainda de acordo com o Ibope, após a saúde, o
principal problema enfrentado pelos paulistanos está o transporte público (15%),
seguido pelo desemprego (13%), a poluição e segurança pública (ambos com 11%), e
a educação (5%).
A pesquisa confirma reportagem do jornal Diário
de S. Paulo, mostrando que crescem as queixas da população quanto à piora dos
serviços de saúde na cidade. A matéria foi feita com base em dados da própria
Ouvidoria da Prefeitura que, mesmo tentando amenizar a situação, não conseguiu
esconder os números que atestam um quadro caótico no setor.
As reclamações vão desde a demora no atendimento
e no agendamento das consultas até a falta de médicos, passando por denúncias de
maus-tratos e ofensas, conforme apurado pela Ouvidoria da Prefeitura, serviço
que recebe reclamações, via telefone, acerca dos serviços públicos prestados aos
paulistanos. De acordo com a pasta, a saúde pública na capital vem registrando
avanços, apesar dos números por ela própria divulgados, que apontam que as
ligações contrárias ao serviço vêm aumentando consideravelmente. Durante o ano
de 2007, a Ouvidoria recebeu 1.388 reclamações em relação à saúde. Em apenas 8
meses e alguns dias de 2008 o serviço já registra 1.749 ligações.
A Ouvidoria lista os bairros que têm problemas,
porém de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública,
todas as áreas da cidade apresentam problemas. “Eles fazem uma propaganda de que
tudo melhorou, mas é tudo maquiagem”, afirma a vice-presidente do sindicato,
Junéia Batista, que trabalha como assistente social em hospitais, ouvida pela
reportagem do Diário. “As AMAs atendem a primeira necessidade, como uma dor de
cabeça, um resfriado. Mas, se o paciente precisar de um exame mais complexo,
terá dificuldades. Conseguir um exame de mamografia, por exemplo, é quase um
sonho”, diz Junéia.
Apesar disso, Kassab preferiu ignorar os
problemas, a nova pesquisa do Ibope e as queixas da população, alardeando em seu
programa eleitoral que 91% aprovam as AMAs.
|