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Evo retoma prédios públicos
e diz que não pode deter marcha sem data do referendo
Reportagem
do HP comprova a destruição causada por fascistas e mercenários em Santa Cruz.
Vandalismo dos terroristas da região da ‘Meia Lua’ ultrapassa os US$ 110 milhões
LEONARDO SEVERO - ENVIADO
ESPECIAL
O governo do presidente Evo Morales começou a retomar as
instituições públicas ocupadas por arruaceiros e marginais a soldo das
administrações da “Meia Lua”, como são chamados os Departamentos (Estados) de
Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, onde a embaixada dos EUA tem financiado a ação
separatista.
Como pudemos constatar em nossa recente visita à Bolívia,
foram gigantescos os prejuízos causados pelos vândalos. Conforme
levantamentos parciais, os bandos organizados, financiados e armados pelos
governos direitistas provocaram perdas que ultrapassam os US$ 110 milhões –
pelas quais terão que pagar.
Na região, junto aos Comitês “Cívicos” – como se
auto-denominam as organizações de direita – membros da União Juvenil Cruzenhista
e delinqüentes arrebanhados pelos governos estaduais tomaram pelo menos 36 sedes
e escritórios do governo central, levantando a bandeira da “autonomia”, exigindo
o repasse de ingressos do IDH (Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos) para tais
Departamentos e o cancelamento do referendo constitucional marcado para 7 de
dezembro. O dinheiro do IDH vem sendo redistribuído aos municípios para o
pagamento da Renda Dignidade (aposentadoria aos maiores de 60 anos).
Na ação terrorista, além de explodirem uma válvula do
gasoduto Yacuba-Rio Grande, obrigando o país a reduzir em 10% a exportação de
hidrocarbonetos, bandos armados tomaram a unidade de gás de Rio Grande, com o
qual desabasteceram o mercado interno de gás liquefeito de petróleo (GLP) e
atacaram a unidade de compressão de Pocitos, localizada em Yacuba, impedindo o
envio de gás à Argentina.
Contra a sede da empresa telefônica Entel,
recém-nacionalizada, os bandos despejaram sua fúria: quebraram portas e janelas,
roubaram cartões, computadores, móveis e destruíram tudo o que encontraram pela
frente. O estrago feito em Santa Cruz foi de tal magnitude que as aulas tiveram
de ser suspensas por cinco dias, deixando constrangidos até apoiadores do
governador Ruben Costas e do presidente do Comitê “Cívico”, Branko Marinkovic,
bem conhecidos por não esconderem seu arraigado direitismo e preconceito.
Pelos danos à infra-estrutura petroleira e seus impactos
negativos no contrato de exportação para o Brasil, só a Yacimientos Petrolíferos
Fiscales Bolivianos (YPFB) perdeu US$ 100 milhões; o Serviço de Impostos
Nacionais (SIN), US$ 9,2 milhões; a Aduana deixou de arrecadar US$ 1,8 milhão; o
Instituto Nacional de Reforma Agrária (INRA), US$ 500 mil, e novos prejuízos são
computados a cada dia.
Durante entrevista coletiva segunda-feira, o presidente Evo
Morales afirmou que a oposição “se reduz cada vez mais, não somente em sua
representação, mas em sua capacidade de arregimentação”. Porém, alertou, “quando
se reúne é muito mais radical, muito mais agressiva, muito mais violenta com as
instituições do Estado, com o governo, com autoridades como a Polícia e as
Forças Armadas”.
Em resposta ao fascismo desatado a partir de Santa Cruz e
em defesa da nova Constituição, que deve ser submetida a referendo ainda este
ano, cerca de 20 mil indígenas e camponeses, cooperativistas mineiros e mulheres
continuam em marcha até a capital do Departamento.
De maneira conjunta, disse Evo, os dirigentes dos
movimentos sociais expressaram “que já se cansaram das agressões, das
humilhações e do racismo na cidade de Santa Cruz. Este levantamento cruzenho o
comparo com o de Tupac Katari na cidade de La Paz em 1781... Cerco de 180, 190
dias, quase meio ano, tudo pela defesa do território, a dignidade, a igualdade e
também a luta pela independência, a liberação ante à invasão européia”. |