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Atentado ao INRA tenta
frear o avanço da reforma agrária
No caso específico da sede do Instituto Nacional de Reforma
Agrária em Santa Cruz, a mais afetada, a avaliação é que as informações
roubadas e os documentos queimados, que continham valiosas análises sobre a
concentração de terras, exigirão novos estudos sobre a função
econômico-social das propriedades, retardando o processo de redistribuição.
Para a delegada presidencial em Santa Cruz, Gabriela
Montaño, a intenção dos vândalos foi clara: “frear a luta contra o
latifúndio e o avanço da reforma agrária”. Gabriela revelou que
desapareceram cerca de 1,5 mil arquivos com títulos de propriedade que
beneficiariam camponeses e comunidades indígenas. Conforme os dados do INRA,
cerca de 15 famílias na região são donas de extensões de terra 25 vezes
superiores à área urbana de Santa Cruz de La Sierra.
Em visita às instalações, o vice-ministro de Reforma
Agrária, Alejandro Almaraz, sublinhou que pedirá o indiciamento dos
dirigentes “cívicos” e governamentais da região implicados no crime.
Recentemente o INRA havia declarado ilegal a possessão de
12 mil hectares do “empreendimento” Yaminska, de propriedade da família do
presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Branco Marinkovic, o maior
latifundiário da Bolívia. Na ação, o INRA pede que a propriedade seja
desalojada para posterior distribuição das terras entre os membros do povo
guarayo, uma das etnias indígenas da região |