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Partido
de Evo, Movimento Ao Socialismo, cresce e reduz o espaço da direita no berço
da reação
Das
15 províncias do Departamento de Santa Cruz, informou o dirigente do MAS, o
presidente Evo Morales ganhou em sete no referendo revogatório de 10 de
agosto, faltando muito poucos votos para ter ganho em nove. “Estamos
avançando na Meia Lua, onde as áreas de poder da reação encontram-se
fundamentalmente reduzidas aos setores urbanos. Também temos ampliado espaço
no Departamento berço da reação, que é Santa Cruz. Nosso problema, além da
capital, onde a direita detém a Prefeitura e controla os meios de
comunicação, são províncias como San Mathias e San Inácio, regiões
semi-coloniais onde nos enfrentamos com o narcotráfico, com os ladrões de
madeira e pistoleiros que têm assassinado muitas lideranças”, esclareceu o
dirigente do MAS.
Na avaliação de Salvatierra, “ao reconhecer o papel
protagônico do Estado, estabelecer claramente uma função econômico-social
para a propriedade e garantir direitos secularmente negados aos indígenas, a
nova Constituição Política do Estado se choca com todo o ideário
neoliberal”. Assim, “derrotada nacionalmente no campo político, com a sua
expressão eleitoral reduzida a cada eleição, e ameaçada com a perda de seu
poder econômico, a reação aposta no golpe”, enfatizou.
“Há tempos que vínhamos denunciando que estava em curso uma
conspiração, que não é isolada nem regional, mas um projeto político
imperial com a participação da embaixada norte-americana. A bandeira da
autonomia sempre foi só um pretexto, instrumento político de propaganda. No
melhor dos casos, a direita fala num Estado binacional. Servindo aos
interesses do governo dos Estados Unidos, querem dividir o país”, condenou.
Na edição de sábado do jornal Santa Cruz Econômico, Sérgio
Antelo, o ensalsado “ideólogo” da Nação Camba – como são conhecidos os
nascidos nesse Departamento – sustenta que “Santa Cruz é a única Pátria que
temos no mundo”. Na entrevista, Antelo faz uma apologia do separatismo e diz
que “a luta que desenvolvemos é política e ideológica”, frisando que “as
guerras se ganham primeiro na mente, no coração, e depois nas ruas”.
Carregada de ódio e preconceito contra o governo de Evo, a
quem acusa de “pretender converter o país em um Estado notadamente
indigenista e portanto carente de democracia e pluralidade”, a edição dá ao
“ideólogo” a principal chamada de capa; se solidariza com o governador
assassino de Pando, Leopoldo Fernández – tratado como “refém político da
perseguição e do terror”; faz uma apologia do sistema financeiro privado e
traz uma charge de um “Evo todo poderoso” sorrindo sobre os escombros de uma
Bolívia dividida ao meio.
“Nós, para consolidar a autonomia, vamos ter que lutar.
Santa Cruz tem que conformar uma frente de libertação nacional para
enfrentar o inimigo comum. Do contrário, acabaremos convertidos em um povo
errante exilado em todos os países do mundo”, choraminga Antelo, um dos
queridinhos da imprensa e do governo de Washington. |