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Projeto
no Congresso coloca Paulson fora do alcance da lei
Em nome do cartel financeiro, o secretário do Tesouro Henry
Paulson pediu ao Congresso carta-branca para encher os bancos de dinheiro,
em troca da xepa dos banqueiros. O projeto de lei, considerado por um
articulista do “New York Times” como o equivalente no plano financeiro à
“Lei (Anti)Patriótica”, pretende estabelecer que “as decisões do Secretário
[do Tesouro] referentes à autoridade desta Lei não podem revistas por
qualquer tribunal ou órgão de governo”.
No mesmo texto, é afirmado que “o Secretário [Paulson] está
autorizado a realizar quaisquer ações que considere necessárias para levar a
cabo a autoridade desta lei, sem se prender a qualquer outra provisão legal
a respeito de contratos públicos” e fica determinado que será liberado
imediatamente o dinheiro que ele decidir. Não surpreende que seja enorme a
resistência da população a tamanho esbulho, e até no Congresso.
A bolha das hipotecas surgiu a partir da ação concate-nada
de bancos, empresas de hipotecas, seguradoras e agências de classificação de
risco, para ampliar seus lucros e os bônus auferidos por seus executivos e
para burlar limites de capitalização existentes nos empréstimos bancários.
As manipulações e fraudes constatadas no estouro da Enron foram ainda mais
longe no colapso da bolha hipotecária e, a partir desta, de uma série de
papéis associados. Pessoas eram induzidas a refinanciar a casa, criando uma
falsa impressão de riqueza, diante da estagnação ou queda do poder
aquisitivo nos EUA.
Também eram concedidas hipotecas sem garantias, títulos
eram emitidos colateral-mente, lotes de hipotecas ruins e péssimas eram
disfarçados com uma camadinha de hipotecas regulares, e depois fatiados e
negociados e renegociados após receberem seguro (como da AIG) e
classificação máxima das agências de classificação de risco. A alavancagem
das operações bancárias foi à estratosfera, os preços de imóveis foram para
as nuvens, e se vendia a ilusão de um capitalismo ascendente e sem crises,
turbinado por derivativos, contratos por baixo do balcão e “colaterais” e
com todo tipo de “garantia” cruzada entre especuladores. Tão cruzada que
ninguém sabe onde exatamente onde começa o mico de um e acaba o do outro.
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