|
Descaso da
Telefónica com orelhões põe em xeque concessão, afirma Ruy Bottesi
“Quando o serviço era público, tinha qualidade e havia plano de expansão”,
diz o presidente da Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET)
O presidente da Associação dos Engenheiros de
Telecomunicações (AET), engenheiro Ruy Bottesi, acusou a Telefonica de
“negligência e incompetência na gestão dos orelhões”, denunciando que o
abandono dos telefones públicos vem “sinalizando claramente que a
privatização da Telesp não foi um bom negócio para a sociedade”. Ele
destacou que a empresa “prioriza a maximização dos lucros e minimização dos
custos sem oferecer um serviço decente e qualidade aceitável para o
usuário”.
“As empresas concessionárias de telecomunicações
(também) estão fazendo pressão contínua junto à Anatel (Agência Nacional de
Telecomunicações) para a redução de telefones públicos disponíveis para a
população”, aponta o presidente da AET.
Segundo a entidade, o número de aparelhos
colocados à disposição dos usuários vem caindo nos últimos anos. O número
estabelecido em 1998, de 7,5 para cada grupo de mil habitantes, foi reduzido
atualmente para 6 telefones por mil. Apesar disso, a proposta das operadoras
na consulta pública da Anatel é de que a exigência caia para 4,5 por mil.
“Na minha visão é um descaso, que justifica até colocar a concessão em
xeque. Quando o serviço era público, tinha qualidade e havia plano de
expansão”, ressaltou.
Ruy Bottesi criticou a frouxidão dos órgãos
fiscalizadores no que se refere à manutenção dispensada aos terminais. Em
uma carta enviada ao governo estadual, a AET pediu providências no sentido
de exigir da Telefônica melhorias na prestação do serviço, “face a essa
deplorável situação do cenário atual”.
Lembrando que os contratos de concessão
estabelecem cláusulas e obrigações que deveriam garantir “o uso, em termos
de quantidade e qualidade”, a entidade aponta que entre os problemas mais
frequentes estão as más condições de conservação física e técnica das
unidades. A AET enumerou que é comum os telefones públicos apresentando
falta de tom de linha, má transmissão/recepção, leitor de cartão indutivo
danificado, além de falta de higiene e limpeza dos aparelhos.
O engenheiro observou ainda que numa inspeção
realizada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste),
verificando as condições de funcionamento de 853 telefones públicos em três
capitais (São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre), apenas 5% dos terminais
estavam limpos e efetuando todo tipo de ligações.
“Fica a nossa indignação, nosso repúdio a essa
qualidade do serviço, que sequer pode ser considerado como prestação de
serviço, já que não funciona”, frisou Bottesi.
WALTER FÉLIX
|