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Governo de SP
não prevê reajuste dos servidores
no Orçamento de 2010
Roberto
Felício e Carlos Ramiro de Castro
Notícias veiculadas na imprensa informam que o
governo do Estado de São Paulo não prevê, na proposta de Orçamento para 2010,
nenhum reajuste de salários aos servidores públicos estaduais. Na matéria o
governador tenta transformar em virtude a decisão de não reajustar os salários
e, pela negativa, faz uma relação entre a melhoria salarial do funcionalismo e o
processo eleitoral.
Nós, que na qualidade de professores da rede
pública estadual, também somos funcionários públicos, repudiamos esta
interpretação. Os servidores do Estado necessitam e merecem uma política
salarial adequada, que reponha anualmente o poder de compra de seus salários e
lhes assegure aumento real, porque isto corresponde à valorização profissional
daqueles que são os agentes do poder público que mais diretamente lidam com a
população que utiliza os serviços públicos. Valorizados e bem remunerados, estes
servidores terão melhores condições de executar suas funções com qualidade e
eficiência.
Ocorre que, no estado de São Paulo, o mais rico
da federação, o funcionalismo público não tem recebido dos últimos governos
estaduais a atenção e o reconhecimento a que faz jus. Os funcionários públicos
estaduais são, na realidade, considerados um incômodo pelos governantes, que se
recusam a estabelecer com eles - através de suas entidades representativas - um
relação respeitosa. São, em geral, tratados como um problema administrativo e
financeiro e não como profissionais capacitados e comprometidos com o
atendimento às necessidades básicas da população.
É esta a razão pela qual o governo estadual não
prevê reajuste salarial para o funcionalismo público, apesar de o Estado dispor
de recursos para tanto. O governador e seus secretários alegam dificuldades
orçamentárias em função da crise econômica, mas é importante registrar que o
governo arrecadou em 2008 cerca de R$ 20 bilhões além do que foi previsto no
Orçamento daquele ano. Em 2009, apesar da crise, as políticas desenvolvidas pelo
governo federal mantêm aquecido o consumo interno e mantêm as vendas - e,
portanto a arrecadação - em altos patamares.
Além disso, os gastos do governo com pessoal vêm
se mantendo em torno de 41% da Receita Corrente Líquida (RCL), abaixo do chamado
"limite prudencial" previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de
46,55% da RCL e bem abaixo do limite máximo de 49,54%. Um exemplo: o gasto com
pessoal da Secretaria Estadual da Educação caiu de cerca de 80% de suas receitas
para 67% em dez anos, como resultado do arrocho salarial que vem sendo
implementado. Ou seja, a arrecadação cresceu, mas os salários ficaram estagnados
ou sofreram redução relativa.
Não temos dúvidas em afirmar que o governo
estadual tem dinheiro para oferecer reajuste salarial a seus servidores. Não
prever tal reajuste, cumprir a lei da data-base (reajuste salarial em março de
cada ano) e não implementar uma política salarial para o funcionalismo estadual
são opções políticas deliberadas em função da prioridade a outros gastos em
detrimento da valorização salarial e profissional dos servidores e da melhoria
da qualidade dos serviços públicos no estado de São Paulo.
Roberto Felício,
deputado estadual, ex-líder da bancada do PT na Assembléia Legislativa
(2008-2009) e ex-presidente da APEOESP (1995-1999).
Carlos Ramiro de Castro,
coordenador do Conselho de Administração e Política de Pessoal do Estado de São
Paulo, suplente de senador pelo PT e ex-presidente da APEOESP
O título original do artigo é
“Os servidores públicos e o orçamento do Estado de SP”
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