Lula defende saída imediata dos golpistas de Honduras
“Eles não
têm futuro”, afirmou após o encontro o ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim
O
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu na quarta-feira,
em cerimonial reservado aos chefes de governo, o presidente de Honduras,
Manuel Zelaya. O Brasil foi um dos primeiros países a condenar energicamente
o golpe de estado que tirou Zelaya do poder há mais de 40 dias.
Após o
encontro, que durou cerca de duas horas, Zelaya reafirmou que a única forma
de restabelecer a paz e a ordem democrática em Honduras é através de seu
retorno à Presidência, o que disse estar convencido que ocorrerá “mais cedo
ou mais tarde”.
O
ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comentou que Lula reafirmou
o apoio ao retorno de Zelaya ao governo de Honduras. “É preciso não só que o
presidente Zelaya volte, mas que volte rápido. E para que ele volte rápido é
preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro”, declarou Amorim.
Ele disse
que o presidente Lula apoiou a proposta do líder hondurenho de cobrar um
atuação mais firme dos EUA nas pressões contra os golpistas. “Os golpistas
não podem permanecer no governo e quem pode dizer isso com todas as letras
são os EUA, que têm uma influência direta”, afirmou Amorim. Ele disse que o
presidente Lula não só apoiou a proposta de Zelaya como também disse que
está disposto a conversar com Obama sobre as pressões que os EUA poderiam
exercer.
Zelaya
disse estar “convencido de que o presidente Obama não quer brincar com seu
prestígio” e exercerá essa pressão por vias diferentes. O líder hondurenho
ressaltou que mais de “70% das atividades econômicas, culturais, militares e
políticas” de seu país estão vinculadas diretamente aos EUA e, por isso,
para a gestão golpista de Micheletti, não será fácil resistir.
“Reconhecemos o esforço norte-americano, mas cremos que as ações foram
demasiadamente tíbias, não sendo suficientes. Consideramos que o presidente
Barack Obama pode tomar medidas mais enérgicas nos aspectos econômicos,
comerciais, migratórios e mesmo em relação a diversos tratados econômicos
que têm com Honduras”, afirmou Zelaya. “Meu encontro com o presidente Lula e
com o ministro das Relações Exteriores, chanceler Celso Amorim, é
precisamente para tratarmos de uma estratégia para que as medidas contra o
regime golpista sejam mais enérgicas, tanto as medidas norte-americanas
quanto as latino-americanas”, disse.
O
presidente de Honduras aproveitou para denunciar os crimes dos golpistas
contra a população e disse que a luta vai continuar. “O povo hondurenho
completa hoje mais de 40 dias de resistência cívica pacífica. Ele foi
duramente reprimido, há uma dúzia de assassinatos, mais de mil presos
políticos em todo o país. Há tortura e a liberdade de imprensa foi
suprimida. O povo sofreu primeiro com o golpe de Estado e agora com a
instalação de uma ditadura”, comentou. “Não há, no âmbito internacional,
legislação específica sobre golpes de Estado e o Brasil é um dos países
dispostos a lutar pela tipificação de golpes de Estado como um delito de
lesa humanidade”, disse.
Ele
salientou que se retornar ao poder “pacificamente”, as eleições previstas
para novembro “serão realizadas” e que ele não poderá ser candidato à
Presidência, pois “não há reeleição em Honduras”. Mas também garantiu que “o
povo hondurenho não participará de eleições ilegítimas”, se forem convocadas
por Micheletti.
O
presidente Zelaya disse que recebeu o apoio de Lula para propor à OEA e às
Nações Unidas que adotem como norma “o não reconhecimento das eleições
convocadas por um Estado ilegal”, não só para o caso de Honduras, mas para
toda situação similar que possa se instalar no futuro, em qualquer país.
Após a
reunião com Lula, Zelaya foi para a sede do Congresso, onde foi recebido
pelo presidente do Senado, José Sarney, e membros da Comissão de Relações
Exteriores que expressaram a solidariedade da Casa. Zelaya informou que
permanecerá em Brasília até amanhã, de onde seguirá de manhã para Santiago
do Chile, para se reunir com a presidente Michelle Bachelet.