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Segundo ex-presidente do Detran, propina de Yeda era de R$ 170 mil
Os procuradores que assinam a denúncia de
improbidade administrativa contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda
Crusius, além de outras oito pessoas, por fraudes no Departamento Estadual de
Trânsito (Detran), afirmam que ela recebeu propina e ajudou na manutenção do
esquema. O teor da representação, divulgada pela imprensa segunda-feira (10), é
baseado principalmente em escutas telefônicas feitas pela Operação Rodin, da PF,
que investigou o desvio de R$ 44 milhões na autarquia.
Segundo a edição de terça-feira do jornal Zero
Hora, com base em uma das conversas – entre Lair Ferst, integrante da
coordenação da campanha tucana, e Marcelo Cavalcante, ex-chefe do escritório de
representação do RS em Brasília, morto em fevereiro – os procuradores sustentam
que o ex-presidente do Detran, Flavio Vaz Netto, teria revelado a existência de
um “acordão” para Yeda e o marido, Carlos Crusius, receberem R$ 170 mil do
esquema por mês.
Outra conversa, entre o ex-diretor da Companhia
Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Antônio Domeu Maciel, e o secretário de
Relações Institucionais, Celso Bernardi, apontaria a proximidade da governadora
com Lair Ferst. No diálogo, Bernardi conta ter dito a Yeda que, ao se falar o
nome “Lair Ferst”, estaria se falando na própria Yeda.
O depoimento prestado pelo então presidente do
Detran, Sérgio Buchmann, em 17 de julho, também foi considerado “de extrema
relevância” para fortalecer a convicção da participação da governadora nos “atos
ilícitos” praticados. Buchmann teria revelado que diversas condutas da
governadora demonstram “não somente o seu conhecimento das fraudes perpetradas
contra a autarquia, mas usa concordância e benefício direto”.
Diante da denúncia do MPF, Yeda Crusius avisou à
cúpula do PSDB, no fim de semana: “Não vou cair sozinha”. “Se existem
irregularidades, começaram no governo do PMDB. As pessoas vão saber”, ameaçou.
A cúpula nacional do PSDB, que estava em
silêncio diante das acusações à governadora tucana, disse na quarta-feira (12)
que o partido está “perplexo com o que está ocorrendo” no estado. Sem ter como
refutar as acusações, o PSDB lançou mão do velho expediente de desqualificar e
perseguir os autores da denúncia e anunciou que vai entrar com uma representação
no Conselho Nacional do Ministério Público contra os procuradores que acusam a
governadora.
O PMDB deve se reunir nesta quinta-feira para
tomar uma decisão sobre o governo de Yeda. O partido tem influência no Banrisul
e na Secretaria de Habitação, dirigida por um indicado do deputado Eliseu
Padilha. A bancada peemedebista (nove deputados) na Assembléia Legislativa do
Rio Grande do Sul decidiu assinar a CPI para investigar Yeda na quinta-feira (6)
passada.
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