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Fernando Siqueira, presidente da AEPET:
“Petrobrás obteve sucesso no pré-sal graças à
lei 2004/53”
O engenheiro realizou palestra durante o Curso
de Formação Sindical da CGTB-SP, em Praia Grande
A Central Geral dos Trabalhadores do Brasil -
Regional São Paulo (CGTB-SP) reuniu, nos dias 11
e 12, mais de 100 lideranças sindicais de 46
entidades do Estado para debater a atuação da
central e garantir políticas de fortalecimento
do Brasil frente à crise internacional, a defesa
do pré-sal, a preparação para a Conferência
Nacional de Comunicação, entre outros temas.
De acordo com o presidente da CGTB-SP, Paulo
Sabóia, “uma das questões principais que a
central enfrenta no momento atual é a questão do
pré-sal. Sabemos que não é possível garantirmos
o desenvolvimento do nosso país com essa nossa
riqueza sendo sugada pelas multinacionais”.

Para apresentar palestra sobre o petróleo,
esteve presente no encontro o presidente da
Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET),
Fernando Siqueira, destacando que “as reservas
do pré-sal representam sete vezes mais petróleo
do que temos em reserva. Podemos dizer com
tranquilidade que há 90 bilhões de barris de
petróleo. Os especialistas dizem que a variação
é entre 40 e 340 bilhões de barris, por isso
trabalhamos com 90 bilhões porque é um número
bastante factível. Isso significa 20 trilhões de
reais. Para se ter uma idéia, a dívida pública
brasileira é 1,4 trilhão de reais. O pré-sal
pode pagar 15 vezes a dívida interna”.

Fernando Siqueira apresentou o histórico de
formação da camada, destacando que sua qualidade
é muito superior à do petróleo comum. “A
descoberta do pré-sal no Brasil é resultado de
cinco décadas de investimentos exploratórios. A
Petrobrás furou 11 blocos diferentes e achou
petróleo nos 11 poços. 100% de sucesso. A Esso
comprou um bloco. Esperou a Petrobrás achar os
11 blocos e, quando furou não achou. Porque
furou no lugar errado, não soube fazer”,
afirmou. “A Petrobrás, dos 29 blocos possíveis,
investigou todos e investiu onde sabia que
tinha”, disse, lembrando que “no governo Geisel,
35 empresas estrangeiras vieram ao Brasil e não
correram um centavo de risco”.
LEILÕES
“Depois dessa descoberta, o presidente Lula,
muito acertadamente, retirou 41 blocos do leilão
e mandou um grupo de trabalho estudar uma nova
legislação para o petróleo. A lei atual,
9478/97, além de desrespeitar o artigo 177 da
Constituição Federal, que estabelece que o
monopólio do Petróleo é da União Federal, é
contraditória: o seu artigo 3º diz que as
jazidas de petróleo pertencem à União; o artigo
21 estabelece que o produto da lavra das jazidas
pertença à União. Contudo, o artigo 26,
estabelece que quem produzir o petróleo é o dono
dele. No entanto, essa lei não cabe ao pré-sal,
pois não há risco de exploração”.
“Por isso, defendemos que a lei 9478/97 deve ser
substituída pela lei 2004/53. Temos que eliminar
os leilões e encarregar a Petrobrás de produzir
no pré-sal. Defendemos o monopólio estatal, e
que se use os bilhões de dólares que estão
aplicados em ativos nos EUA e compre as ações da
Petrobrás. Depois repõe com os ativos do
pré-sal”.
“Há um tempo atrás, cerca de 500 caminhões
estiveram em Brasília com o slogan da CGTB ‘O
pré-sal é nosso’ pedindo a volta da Lei 2004/53.
Lei que com 44 anos de investimento propiciou a
autossuficiêcia do Brasil em petróleo”, lembrou,
ressaltando que “95% dos poços foram
descobertos pela lei 2004 e não pela lei de
1997”.
4ª
FROTA
Siqueira destacou ainda que “com os 90 bilhões
de barris do pré-sal, somado aos 14 bilhões que
já temos, o Brasil vai a 4º lugar em reserva, e
a primeira providência dos Estados Unidos foi
ativar a 4ª frota. Os EUA têm 29 bilhões de
barris de reserva e eles gastam 10 bilhões por
ano. Por isso invadiram o Iraque”, afirmou.
Durante o curso, os participantes tiveram ainda
a oportunidade de debater o tema “A falência do
neoliberalismo e os caminhos para o
desenvolvimento do Brasil”, com a presença de
Antônio Neto, presidente nacional da CGTB e do
economista Nilson Araújo; “Previdência, sistema
tributário, isenções e a luta pelo emprego”, com
palestra de Denise Gentil, professora do
Instituto de Economia da UFRJ; “Sete anos de
Governo Lula e o futuro do Brasil”, com Miguel
Manso (PPL-SP) e Edinho Silva (PT-SP); “A
democracia e os monopólios da mídia”, com Carlos
Lopes e Altamiro Borges; “A saúde do
trabalhador”, com Jorge Venâncio, representante
da CGTB no Conselho Nacional de Saúde e
Organização Sindical”, com Carlos Pereira
secretário geral da CGTB.
A Abertura do Curso contou com as presença Luigi
Nese, recém eleito presidente do Codefat, que
agradeceu o apoio da Central do processo
eleitoral do Conselho.
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