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Apeoesp: Serra
cria barreiras para impedir aumento salarial
A direção do Sindicato dos Professores do
Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) qualificou de “discriminatório”
o Projeto de Lei Complementar 29/2009 do governo estadual que institui sistema
de promoção para o Magistério: “O PLC não atende às necessidades da escola
pública estadual e da categoria, embora o governo, através da mídia, venha
criando um marketing em torno da proposta a partir da ilusória perspectiva de
que os professores poderão alcançar altos salários”.
“Para nós, qualquer alteração no Plano de
Carreira tem que ser precedida da imediata incorporação das gratificações - e
sua extensão aos aposentados - e a reposição imediata de 27,5% sobre nossos
salários, de forma a recuperar as perdas acumuladas desde março de 1998. A
partir daí, sim, queremos fazer um debate global sobre a carreira, pois há
diversos pontos a serem alterados”, afirmou a presidente da entidade, Maria
Izabel Azevedo Noronha (Bebel).
Bebel lembrou que “o tipo de abordagem feito por
setores da mídia e pelo governo minimiza aspectos importantes do PLC, que
restringem drasticamente o seu alcance”, citando, que “as notas mínimas exigidas
para a promoção dos professores são crescentes, sendo 6 do primeiro para o
segundo nível; 7 do segundo para o terceiro nível; 8 do terceiro para o quarto
nível; e 9 do quarto para o quinto nível, num possível de 10”. Para atingir o
quinto nível, por exemplo, um professor ingressante necessitará trabalhar
ininterruptamente, no mínimo, por 13 anos, cumprindo as demais exigências e
obtendo as notas acima.
Além das demais condições, esclareceu a
presidente da Apeoesp, para participar de cada etapa da progressão o professor
terá de permanecer na mesma escola ou unidade administrativa (no caso de
supervisor de ensino) durante, no mínimo, 3 anos e 2 meses (na primeira
avaliação) e 2 anos e oito meses (nas demais avaliações). “Isso tudo sem que
haja qualquer política de incentivo salarial e profissional para que o
professor, hoje, permaneça na mesma escola. Também é exigido alto índice de
frequência para participar do processo de promoção, não respeitando os direitos
estabelecidos pela legislação como faltas médicas (já restritas pela lei
1041/2008); licença-prêmio e outras. Serão penalizados no processo professores
que tenham feito uso de faltas abonadas”. Ainda assim, só serão promovidos à
faixa seguinte, no máximo, 20% dos integrantes de cada faixa salarial, “desde
que cumpridos os demais requisitos”. “Este é o percentual máximo; entretanto,
seu cumprimento depende da disponibilidade orçamentária declarada pelo governo
em cada ano, o que significa que o índice de promovidos poderá, no limite
mínimo, ser próximo de zero. Para completar, os atuais aposentados não serão
beneficiados”, denunciou Bebel.
Governo ignora
reivindicação
A avaliação da Apeoesp é de que com este projeto
o governo Serra tenta esconder os graves problemas da escola pública e não
atender a reivindicação salarial da categoria. “Quer desviar a atenção de suas
próprias falhas, como a imposição de medidas educacionais fragmentadas; falta de
infra-estrutura das escolas; ausência de política salarial e de valorização dos
professores; centralização, confecção e distribuição de materiais paradidáticos
inadequados e contendo erros grosseiros (quem não se lembra das cartilhas com
dois “Paraguais” e dos livros pornográficos?); autoritarismo e falta de
autonomia didático-pedagógica das escolas e tantas outras”.
Além disso, “o governo mais uma vez tenta
dividir a categoria, estabelecendo reajustes salariais diferenciados e criando,
também, a possibilidade de que haja qualidade de ensino diferenciada nas escolas
estaduais, de acordo a remuneração do corpo docente”.
Para a Apeoesp, “o que está em discussão é o
embate entre dois projetos antagônicos”: “De um lado um governo que não investe
na escola pública, não respeita e não valoriza os professores, não assegura
condições para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem e cria propostas que se
resumem a puro marketing. De outro, uma categoria que trabalha em condições
adversas e, ainda assim, mantém profundo compromisso com a educação pública
porque tem plena consciência de seu papel social na formação dos cidadãos
brasileiros e que, por isso, precisa ser valorizada e remunerada de forma
digna”. |