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Berlusconi
legaliza patrulhas
fascistas contra os imigrantes
Aprovação da
lei foi festejada com ataque a acampamento de imigrantes
pela máfia napolitana
Berlusconi, um magnata dos monopólios de mídia, governa a Itália com os
partidos de direita a Aliança Nacional Pós-fascista e a Liga do Norte,
abertamente separatistas, racistas e xenófobos. Querem que a Itália seja só
a parte mais rica do país, o norte, e consideram que os imigrantes,
invasores, são a principal causa dos problemas econômicos e sociais da
Itália. Esses dois partidos ocupam os principais ministérios do governo
italiano.
A lei fascista contra os imigrantes recentemente aprovada por um parlamento
divido – no senado foram 157 votos a favor e 124 contra - dividiu também a
opinião pública no país, além de gerar protestos e condenações em todo o
mundo. Ela foi idealizada pelo Ministro das Reformas Institucionais de
Berlusconi, Umberto Bossi, chefe da Liga do Norte e por Ignazo La Russa,
Ministro da Defesa.
A lei foi apresentada pelo ministro do Interior, Roberto Maroni, membro da
Liga do Norte, e aplaudida por Berlusconi e por um antigo fascista, Gianni
Alemano, prefeito de Roma, que durante sua campanha eleitoral jurou
“desmantelar os acampamentos onde os imigrantes vivem em horrível situação
de terceiro mundo”.
As condições horríveis nos acampamentos dos imigrantes são de
responsabilidade das autoridades italianas. Eles não têm acesso à agua
corrente e nem à eletricidade.
DELAÇÃO
A nova lei obriga os funcionários públicos a denunciar os imigrantes sem
documentação no país e para melhor ser executada, contará com importante
ajuda de organizações ilegais, que encontraram na nova lei, um meio de se
tornarem “oficiais”... e de crescerem.
Dentre os pontos mais controversos e deploráveis da nova lei contra a
imigração está o que legaliza as “patrulhas de cidadãos”, para “ajudar a
polícia e os soldados a combaterem o crime nas ruas” além de combater também
como crime o ato de uma criança pedir esmolas. O principal alvo é a
comunidade cigana, mas não só. Nas cidades do norte do país e em Roma essas
patrulhas (ou gangues) já existem e são apoiadas, mesmo quando ainda eram
ilegais, pelas prefeituras cujos prefeitos são dos partidos da coalizão do
governo, são gangues em moto-cicletetas que rondam a cidade a procura de
“imigrantes infratores que prejudicam a ordem pública”. A partir de agora as
gangues estão legalizadas, as prefeituras, pela nova lei, estão autorizadas
a oficializar e organizar essas gangues com o pomposo nome de “patrulhas
cidadãs” em todo o país.
Como agem as gangues de paramilitres? Elas fazem Pogroms ao velho estilo
nazista como fez Hitler contra os judeus na Alemanha, na Polônia ocupada ou
como aconteceu na Itália de Mussolini durante a II Guerra. Elas se inspiram
em Mussolini e se orgulham de ser “carabinieri”.
Em Nápoles, no distrito de Ponticelli havia um acampamento de imigrantes.
Ele foi reduzido a cinzas. No dia 14 de maio, quando a lei contra a
imigração já tinha sido aprovada na Câmara e estava em discussão no senado,
uma turba agitada com materiais inflamáveis nas mãos, invadiu o acampamento,
provocando os moradores, xingando e batendo, até que atearam fogo em tudo.
Para tanto contaram com a ajuda da máfia napolitana, a Camorra.
Uma testemunha declarou ao jornal italiano Corrieri della Sera : “Um grupo
de jovens começou a se aproximar, um deles, Ciro Sarno, sobrinho do prefeito
de Ponticelli e capo de um clã da Camorra que se instalou aqui, deu um sinal
ao resto do grupo que subiu em suas motos e dez minutos depois as nuvens de
fumaça e o desespero tomavam conta de todo o acampamento”.
Sobre esse fato, o Ministro Umberto Bossi declarou: “As pessoas fazem
a-quilo que a classe política não pode fazer. É mais fácil exterminar com os
ratos que caçar ciganos”.
Ao provocar esse atentado a Camorra pretendeu também desviar as atenções de
escândalos protagonizados por ela em relação aos “negócios com lixo tóxico”.
As indústrias do norte da Itália não gastam dinheiro com o tratamento do
lixo, a tarefa de se desfazer dele é terceirizada para a Camorra que o
descarta no sul da Itália, segundo informa o site francês WSWS.
Foi exatamente em Nápoles, no dia 21 de Maio que Berlusconi realizou uma
seção de seu gabinete de governo para tratar da “crise do lixo” e para
lançar seu projeto de lei contra a imigração destacando-se a criação dos
grupos paramilitaes, as “patrulhas de cidadãos” contra os “criminosos
estrangeiros”, como afirmou.
BATIDAS
Desde o início de maio, a polícia e os carabinieri paramilitares
intensificaram as batidas contra os imigrantes estrangeiros fazendo
interrogatórios e prendendo trabalhadores estrangeiros e seus familiares.
Centenas de imigrantes do norte da África, da Albânia, da Grécia, ciganos, e
de outros países da Europa do leste foram detidos e acusados de infrações.
Uma grande quantidade foi deportada com grande cobertura midiática.
No último dia 10 de agosto os jornais europeus publicaram mais uma
declaração racista de Berlusconi: “A idéia da esquerda é de fazer da Itália
uma nação multiétnica. Não é a nossa. Nós rejeitamos uma itália multiétnica”.
Deputados de oposição no parlamento italiano reagiram, um deles afirmou que
“A Itália é e será um país multicultural, gostem disso ou não”, informou o
portal francês nouvelobs.
Para o Vaticano, noticiado pela agência Estado, a imigração não deve ser
reprimida como “uma invasão da qual é preciso se defender”. O presidente do
Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Refugiados, monsenhor
Antonio Maria Vegliò, acrescentou que não pode ser esquecido que a
“soberania está vinculada às convenções internacionais e ao respeito a dois
princípios éticos: a defesa da dignidade dos indivíduos e a convicção que
toda a humanidade, para além das diferenças étnicas, nacionais, culturais e
religiosas, forma uma comunidade sem discriminação entre os povos”.
Em verdade, a lei fascista de Berlusconi contra os imigrantes é contra,
sobretudo, o povo italiano que, além de ter um governo que não se preocupa
em tirar as crianças da rua, da margi-nalidade, transforma em crime o ato de
uma cruiança pedir esmolas. Com um governo que produz leis como essa, a cada
dia, o povo italiano perde um pouco mais dos seus mais elementares direitos.
A Itália, berço do Direito e um dos pilares da civilização ocidental
retrocede ao seu período histórico mais execrável, o que levou Mussolini e o
fascismo ao poder com seu lastro de corrupção, tortura e ódio. Que esteja
sempre viva na memória dos italianos, e de todos nós, o resultado de tão
trágica experiência.
ROSANITA CAMPOS |